quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Arnaldo Jabor e a causa das Vaias

AMIGOS E AMIGAS, NA POSTAGEM DE HOJE VOU AQUI REPRODUZIR O BOLETIM DO CRONISTA E CINEASTA ARNALDO JABOR DO DIA 6 DE AGOSTO DE 2007, POSTADO NA RÁDIO CBN.


QUERO ANTES AFIRMAR QUE FAÇAM MINHAS AS PALAVRAS DE JABOR, FORMADOR DE OPINIÃO COM RARA CLARIVIDÊNCIA E DE SENTIMENTOS PROGRESSISTAS, LIBERAIS E DEMOCRÁTICOS. ARNALDO JABOR QUE COMO HOMEM INTELIGENTE QUE É SAIU DA LETARGIA IDEOLÓGICA DO COMUNISMO REINANTE EM NOSSO PAÍS NAS DÉCADAS DE 60 E 70 DENTRO DE NOSSA INTELECTUALIDADE, PARA HOJE APRESENTAR-SE DEVIDAMENTE AMADURECIDO, ABRAÇANDO A DEMOCRACIA QUE NUNCA FEZ PARTE DO VOCABULÁRIO VERMELHO QUE SEMPRE A TAXOU COMO MECANISMO DE DOMINAÇÃO BURGUESA.


COMO AFIRMARÁ JABOR EM SEU TEXTO AS CAUSAS DAS VAIAS INSESSANTES E CRESCENTES SOBRE LULA NÃO SERÃO ENCONTRADAS ENTRE OS MILHARES DE MISERÁVEIS DE NOSSO PAÍS - VISTO A CONDIÇÃO ALIENANTE IMPOSTA PELO ASSISTENCIALISMO PETISTA. A CRÍTICA, AS VAIAS, ESTÃO AQUI EM NOSSAS GARGANTAS, NÓS, A QUEM O GOVERNO QUER CLASSIFICAR COMO "ELITES", NÃO NO SENTIDO REAL DO TERMO POIS AFINAL SOMOS ELITE SIM SE PENSARMOS NO UNIVERSO DE MISERABILIDADE CRÍTICO-INTELECTUAL DE NOSSO POVO QUE SAI DA ESCOLA PÚBLICA SEM SABER LER E ESCREVER, DE COMPREENDER O QUE LÊ, INCAPAZ DE SE EXPRESSAR CRITICAMENTE.


LULA SE BENEFICIA COM A FALTA DE EDUCAÇÃO DE NOSSO POVO, DE NOSSOS MILHÕES DE ANALFABETOS FUNCIONAIS QUE SERVEM COMO CURRAL POLÍTICO NECESSÁRIO A MANUTENÇÃO DESTA STATUS QUO CAÓTICO E MENTIROSO. NUNCA ANTES NESTE PAÍS SE APROPRIARAM TANTO DO ESTADO BRASILEIRO, NUNCA ANTES NESTE PAÍS SE VIU UM INCHAÇO PÚBLICO TÃO GRANDE TRANSFORMANDO O ELEFANTE BRANCO NACIONAL NUM DINOSSAURO VORAZ E INEFICIENTE.


POR REFORMAS BÁSICAS, POR PRIVATIZAÇÕES EM SETORES ESTRATÉGICOS (O POVO NÃO APRENDEU QUE A CONCORRÊNCIA SÓ O BENEFICIA, TRAZENDO SERVIÇOS DE QUALIDADE SEMPRE), POR DESAPROPRIAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO, POR ENXUGAMENTO DOS GASTOS PÚBLICOS (EXCETO EDUCAÇÃO E SAÚDE), PELA FORMAÇÃO DE MOVIMENTOS DE CONTESTAÇÃO E REPULSA A TRAGÉGIA ADMINISTRATIVA CHAMADA GOVERNO LULA, PELA REFUNDAÇÃO DO PARTIDO DOS TRABALHADORES (SERÃO ESTES CAPAZES DE ALGUMA AUTO-CRÍTICA), PELA MOBILIZAÇÃO DE UMA FRENTE DE OPOSIÇÃO FORTE E DE PERSONALIDADE POLÍTICA (SEM OS EXCESSOS DO ESQUERDISMO INFANTIL DE PSOL E SUBJASCÊNCIAS), POR UM BRASIL LIBERAL, PROGRESSISTA E DEMOCRÁTICO - E QUE ISOLE POLITICAMENTE GOVERNOS AUTORITÁRIOS LATINO-AMERICANOS, ESPECIALMENTE A NUVEM SUJA DO CHAVISMO, VISTO A EMINENTE MORTE DO CASTRISMO E A INEVITÁVEL REABERTURA POLÍTICO-ECONÔMICA CUBANA AINDA POR VIR.


ABRAÇOS E BOA LEITURA!


Amigos ouvintes,
É simplesmente vergonhoso, quase criminoso, ouvir o governo dizer que as críticas e vaias que tem sido lançadas ao Lula e seu executivo são feitas pelas “elites”, por gente que não representa as forças vivas da nação como dizem os comunas a mais de cem anos.
As vaias tem sido dadas pela parcela da população que tem capacidade crítica mínima para avaliar o desempenho desse governo, pelos que lêem jornais, pelos que tiveram a sorte de poder estudar e podem constatar a tragédia da pior administração pública da história brasileira. Ainda por cima no momento mais privilegiado da economia mundial quando o Brasil poderia estar dando um show de bola, no entanto ta batendo pino.
Lula mantém sua popularidade entre as pessoas que mergulhadas na ignorância ou cooptadas pelos censinhos ou cinqüentinhas que ficam em suas mãos como bolsas apóiam-no sem saber porquê estão fazendo.
Lula se refugia na desinformação de grande parte do nosso pobre povo para enganá-lo com seu progresso falso, que não existe, que poderia estar havendo se houvesse um mínimo de competência administrativa e um mínimo de grandeza.
Os dados estão por ai provando, por exemplo que nosso país só tem 11% de suas estradas asfaltadas, sabem por que? Porque o governo se recusa a abrir concessões para a iniciativa privada, que meia dúzia de malucos comunistas acham que não se pode privatizar nada.
A espantosa incompetência desse governo é a causa das vaias por quem tem cultura mínima para perceber esta incompetência. E as causas da incompetência são: ambigüidade ideológica de sindicalistas e ex-comunas no poder que odeiam administrar pois só pensam numa imaginária revolução que jamais aconteceu e nem acontecerá, como é que um sindicalista pode administrar um banco se ele é contra haver bancos? Outra causa é o tumor inoperável na cabeça dos homens do governo e de muito intelectual idiota que diz que o Estado tem que ser o centro de tudo hoje quando essa idéia está morta no mundo inteiro, inclusive na China e no Vietnã. O Estado super-poderoso é que gera essa imensa corrupção que a gente vê, e o Estado é pilhado de dentro e de fora. Outra causa, da crise, e das vaias, é a ocupação do Estado já em 40% dos cargos para membros do PT ou ligados a ele, 40%! (em pesquisa recente realizada).
O Estado é visto como uma colméia onde os marimbondos vão se aninhar. Os ganhos do PT, do partido onde vive esta gente que vive do governo empregada, aumentou 500%, já que 10% de seu salário vai para o partido.
Outra causa, da crise e das vaias, é a recusa do governo em fazer reformas essenciais: da Previdência, do Trabalho, Política, da estrutura Fiscal. A recusa de enxugar gastos que permitiria investimentos e estimulo ao desenvolvimento. Em vês de desfazer, reformar, o governo criou um desenvolvimentismo falso, de fachada, um marketing, um PAC que é feito de marketing e que nunca sairá do papel. Além disso nomeia para cargos técnicos políticos corruptos, ineptos: para usinas hidrelétricas especialistas em botânica, para aviação agentes de turismo bailarinos, isso tudo sem falar na preguiça e na confusão mental dos membros do executivo. Essa é a razão das vaias, que o governo acha que é “das elites” ameaçando convocar os pobres que não estudaram para defendê-lo e para defender uma mentira que os incubriria mais ainda. Que tristeza ver o país patinar no meio do maior progresso internacional dos últimos 70 anos da economia mundial.

ARNALDO JABOR – RÁDIO CBN, DIA 6 DE AGOSTO DE 2007.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Eu já cansei à muito tempo! E você?

Amigos e amigas, seguem abaixo algumas referências ao dito movimento "CANSEI", organizado pela Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo, e que fará, no próximo dia 17 de agosto, uma manifestação na forma de 1 minuto de silêncio em homenagem as vítimas do acidente aéreo da TAM.

Do site da OAB-SP - http://www.oabsp.org.br/destaque_principal/durso-classifica-critica-a-movimento-como-antidemocraticas :

O presidente da OAB SP, Luiz Flávio Borges D´Urso, em entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (2/8), na sede da OAB SP, classificou as críticas dos opositores ao Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros (Cansei) como “ desinformação “ e “falta de convivência com a democracia”.

Durante a entrevista, D´Urso rebateu as críticas de que o Movimento teria um viés "golpista". " Quando nós (OAB SP) defendemos os direitos dos presos, nós fomos taxados de esquerda. Quando defendemos os direitos humanos, também. Quando lutamos contra a ditadura militar, a OAB era oportunista e golpista. Quando propusemos o impeachment de Pita, também contrariamos interesses. Quando a OAB nacional marchou pelo impeachment do Collor, também encontrou resistências. Assim, a cada momento somos taxados de alguma coisa . Mas, reitero, tudo fruto de desinformação “, ressaltou.

D´Urso também comunicou que está pedindo uma audiência com o presidente da República , Luiz Inácio Lula da Silva, para explicar que este Movimento não tem qualquer viés de golpe para tentar desestabilizar as instituições. “Nós sempre defendemos a solidez das instituições porque elas representam os pilares da democracia que tanto defendemos. Na oportunidade, também vamos para levar às mãos do presidente uma pauta de contribuições da sociedade para superar essas dificuldades, que não surgiram agora, mas que estão cansando a população. Para, enfim, termos o Brasil dos nossos sonhos”.

Segundo D´Urso, muitas temáticas desenvolvidas pelo Movimento já são bandeiras históricas da OAB SP, como por exemplo a segurança pública, carga tributária, corrupção, abandono e delinquência juvenil, ética na política, entre outras. “A OAB SP , ao longo de sua história defendeu muitas bandeiras e muitas delas se confundem com esse movimento. E nós vamos continuar buscando, estimulando a sociedade a participar. Se temos que criticar ou elogiar alguma coisa, o fazemos com isenção. O Movimento está procurando mecanismos para efetivamente manter esse diálogo, que a OAB sempre teve, com o Poder Público, seja na esfera federal, estadual ou municipal.”, disse.

De acordo o presidente da OAB SP, desde o inínico, o Movimento tem no ministro da Justiça, Tarso Genro, um interlocutor no governo “. Assim sendo, é absolutamente improcedente qualquer tentativa de taxar esse movimento como um movimento de fora Lula, um movimento golpista. Essas vozes que se levantam é porque, talvez, não estejam acostumadas com o processo democrático, porque o processo democrático é de diálogo, da convivência com os antagonismos. Aliás, muito próprio da advocacia, onde passamos, dentro de nossa atividade profissional, a conviver e a respeitar as adversidades e, nesse respeito, contribuir para as soluções dos problemas que se apresentam para o Estado e para o país”, ponderou.

D´Urso enfatizou, ainda, que o Movimento não tem coloração político-partidária. “ É um movimento de cidadania, que diz ao cidadão: venha participar, se você cansou de não fazer nada, faça. Você também tem a sua parte a fazer pelo país. Você também pode trazer uma idéia criativa e uma solução e vamos juntos trabalhar nesse sentido, governo e sociedade, para superar as dificuldades enfrentadas pelo Brasil”, explicou.

D´Urso também rebateu que o movimento é da elite. “ Se temos pessoas que tem poder aquisitivo bom no movimento, também temos pessoas pobres no movimento. Temos assalariados que são simpáticos e querem aderir ao movimento. Se temos empresários, temos trabalhadores, estudantes, médicos, engenheiros, comerciantes, temos o extrato da sociedade representado nesse movimento. Agora,individualmente, nós queremos que o cidadão acorde, desperte, mostre que está atento e faça proposta para resolver os problemas do país”, disse.

Na coletiva, D´Urso disse que apóia o Movimento Cansamos da CUT, uma resposta ao Cansei. “Conversei com o presidente da CUT, Artur Henrique, e ele disse que o seu movimento, Cansamos, não tem um viés de oposição ao nosso movimento. E quero dizer que o nosso movimento, que a OAB apóia o movimento da CUT porque aqueles objetivos que estão sendo desfraldados lá, contra o trabalho escravo, contra o trabalho infantil, contra a exploração do trabalhador, em defesa dos direitos trabalhistas, são bandeiras históricas da OAB. Por isso nós apoiamos o movimento da CUT”, afirmou.

D´Urso também ressaltou que outras Seccionais da OAB têm os seus movimentos locais com perfil semelhante ao do Cansei. “´E nessa sinergia que nós queremos trabalhar. O presidente nacional da OAB, Cezar Brito, foi informado desde o início sobre os propósitos do Movimento e está acompanhando. Foi convidado para estar conosco em São Paulo no dia 17 de agosto, quando faremos um minuto de silêncio”, finalizou."


Do jornalista da Folha de São Paulo Gilberto Dimenstein:

Você não cansou?
da Folha Online

Não consegui entender direito o clima um tanto histérico, nutrido pelo governo, contra o movimento batizado de "Cansei", apontado como um núcleo conspiratório; outros viram ali uma reação ideológica conservadora como se o governo Lula não tivesse apoio entre setores da chamada "direita".

Alguns se incomodam com o fato de gente mais rica protestar como se todos, numa democracia, não tivessem o direito legítimo de protestar. É um direito não correr risco voando num avião.

Talvez, quem sabe, aquele movimento se converta em algo como maior consistência (inclusive conspiratória, com o olho na sucessão presidencial). Mas, por enquanto, o "Cansei" padece de um problema: o cansaço. Não propôs nada de concreto, rigorosamente, apenas a irritação --e, por isso, o cansaço é estéril.

Mas quem não cansou de ver um país com tantas possibilidades, com tantos recursos, sofrendo com tanta pobreza e violência? Quem não se cansou de ver tanto dinheiro público desperdiçado e sermos obrigados a pagar tanto imposto?
O que seria injusto é culpar apenas Lula, mas também seria injusto isentá-lo de parte da responsabilidade, pois seu governo vem investindo menos do que poderia em obras de infra-estrutura, torrando dinheiro com funcionalismo.
Não é possível ser um brasileiro com um mínimo de responsabilidade sem estar cansado da diferença entre o que somos e o que poderíamos ser, devido à crônica incompetência pública.

Bom, pegando como ganchos de pensamento os dois textos acima apresentados, eu diria à todos que eu já me cansei à muito tempo.

Defendendo a democracia como valor, antes de tudo. Tirar Lula do poder hoje, por incompetência, é bobagem. Porém, podemos e deveríamos retirá-lo do poder, democraticamente como fizemos com Fernando Collor de Mello em 1992 num processo de impeachment, e para tanto bastará ligarmos os recentes e consecutivos casos de corrupção ocorridos neste país como frutos da irresponsabilidade deste governo (que seria condenado por crime de responsabilidade, mesmo que não seja o governo corruptor, mas sim um facilitador para que isto se tornasse um fenômeno endêmico, incontrolável), que como sabemos, pagava mensalão para deputados federais votarem e tomarem decisões favoráveis ao governo - que costurava uma base política na base do clássico e velho "toma lá, dá cá", nada republicano.

Sei, como historiador, que as esquerdas brasileiras, oriundas das experiências e pensamentos socialistas de caracteres castrista (modelo cubano), trotskista e gramsciano (proliferados em nossos cursos superiores), stalinista (modelo soviético e que impera na maioria dos partidos políticos de esquerda, por isto a sua dificuldade em receber críticas, em serem questionados, pois como o grande urso russo sonham com uma sociedade reunida num coletivo apático, obediente, sob as ordens de um intelligentsia iluminada, no caso brasileiro liderados pelos José Dirceu e camaradagem) são muito sensíveis a qualquer típico de crítica, logo caracterizada como "golpismo", "atitude pequeno-burguesa", "ação contra-revolucionária", "perseguição dos poderosos e da grande mídia" e etc.

Não só sou favorável ao movimento organizado pela OAB-SP, como diria que tal organização demorara a aparecer, pois passou da hora de a sociedade, com capacidade de entendimento (pois a maioria se vendeu pela miséria e pelo assistencialismo que compra as consciências, travestindo-se de políticas sociais, quando a verdadeira política social é o investimento no país, que gerando riquezas poderá distribuí-las) se mostrar de alguma forma.

Não sou rico. Pelo contrário. Não sou da elite, burguesa, pelo contrário. Sou professor, sou funcionário público. Minha consciência este governo não compra e não comprará com assistencialismo (como o piso efêmero que será colocado para nós professores de R$ 850,00), aliás, a minha consciência é a minha consciência, construída dialeticamente na conjunção entre a experiência sensível, de vida, aliada aos estudos. E digo que cansei, e a muito tempo.

Cansei deste desgoverno. Cansei de ver o meu povo enganado, que só apoia Lula por ainda crer na "aréola" proletária que este ainda carregaria, e que nós, seres iluminados pelo conhecimento, educação, e acesso a informação de qualidade, já sabemos que o Presidente Lula à muito tempo já não representa mais isto. E assim, as classes médias e altas já o abandonaram, estas que tinham em Lula simpatia e que a ele deram seu voto após 8 anos de governo tucano que pouco fizera, significativamente, por este país. O povo esperava mais, muito mais. O povo queria distribuição de renda, e esta só é efetiva, pelas vias do trabalho, do emprego, não pelos bolsões que escravizam e que não geram valor. É continuar distribuindo o nosso "troco de pinga" nacional, é dividir a nossa miséria, e nunca produzir, ou melhor, reproduzir capital ativo, constante.

Eu afirmaria, como num velho conto infantil "o rei está nu". E só me resta o cansaço, que aliado a muitos outros cansados, logo seremos muitos. E então, eu assim espero, em 2010 daremos uma lição, bem dada, no PT e em sua base aliada, diminuindo-lhes sua representatividade política em municípios, estados e principalmente na União, onde a experiência petista não mais se repetirá. Sorte de todos nós, brasileiros acima de tudo.

Abraços liberais, nietzschianos e claro, cansados.









sábado, 4 de agosto de 2007

Resposta Necessária "uso a razão e não o porrete", e Ghiraldelli vs Chauí

Amigos e amigas, esta nova postagem é para responder uma provocação salutar de meu amigo, professor de Educação Física e árbitro de futebol, Wesley Moreira (petista convicto) que assim me falou enquanto bebíamos muitos chopps na noite belo-horizontina "você só usa o seu blog para criticar o governo! Você do PFL só poderia ficar fazendo isso".

Primeiro caro amigo, está difícil não criticar este governo. São escândalos e crises que se desenrolam uma após a outra. Seria bobagem minha mais uma vez enumerar, com casos entre 2002 e 2007, a incompetência de Lula como Presidente e de seu governo como administradores do país.

Não uso o blog exclusivamente para isto, aqui já discuti cultura (sobre a música ítalo-paulistana de Adoniram Barbosa), futilidades (como a revista Playboy do mês de julho onde pousava nua a auxiliar de arbitragem Ana Paula de Oliveira), religião (na última postagem quando analisei o cristianismo atual e sua historicidade, sob foco crítico de Nietzsche), e a América Latina (criticando abertamente o chavismo e outras manifestações do tipo, como na Bolívia). Mostro-me, ao contrário do que pensa o ilustre amigo, muito mais aberto, mais holístico e variado do que poderia imaginar a vossa visão petista de que estão sendo sempre perseguidos pela direita que oprime e que planta acusações contra este governo maravilhoso fazendo-se valer pelo uso da grande mídia para isto.

Outra coisa, não faço uso de meu blog para defender bandeiras partidárias, apesar dos tempos vividos como filiado ao PSDB e ao PL, que hoje fazem parte de meu passado político. Estou, no momento, distante da política partidária por entender que não me encontro com reais condições de atuação junto a um organismo partidário, pois para ser reconhecido em partido político não basta ter boas idéias, boa vontade, não, é necessário muito mais - ação social, influência, poder aquisitivo.

Creio que serei mais eficiente, como cidadão, tornando-me um olhar atento, analítico e as vezes crítico, do que ocorre neste país, e como professor e formador de pessoas e de opiniões é meu dever, inclusive profissional, posicionar-me perante meus alunos, meus companheiros e à sociedade a qual faço parte.

Foi bom você ter me questionado, pois se em algum momento transpareço usar este blog como mais um porrete para bater na cabeça de Lula, isto fiz de maneira inconsciente pois este não é e não será o meu objetivo com este blog. Ele transcende isto, ele deve sim, e sempre, refletir aquilo que penso, que tenho para dizer, aos que de alguma maneira aqui querem me ouvir. E assim, estará sempre aberto o leque de temas, de discussões. Se assim não fosse estaria usando o nome do blog "tiago menta usando o porrete", e não a proposta "tiago menta usando a razão".

E usando a razão que a natureza me deu, reafirmo: não tem este blog um sentido teleológico, visando denegrir um governo ou um partido, mas jamais me calarei, me silenciarei, como querem pessoas como a filósofa Marilena Chauí (que entende a crítica a este desgoverno a quem ela defende como ação contra-revolucionária, como ação sempre reacionária), e assim, sempre que Lula e seus aceclas cometerem erros estarei aqui, não como um lacerdista raivoso, mas como um professor, um historiador e filósofo, que jamais dispensará a crítica como mecanismo de consciência e de transformação.


  • A partir de hoje teremos em meu blog a ilustre participação e colaboração do Prof. Dr. em Filosofia da Educação, voz proeminente dentre os Filósofos Pragmatistas, e um dos realizadores do CEFA (Centro de Estudos em Filosofia Americana) Paulo Ghiraldelli Junior. No texto abaixo o prof Paulo coloca em discussão a posição de sua colega filósofa Marilena Chauí diante da crise instaurada com o caos aéreo nacional e de sua defesa, incolúme, do governo Lula mesmo que para isto ela negue a sua própria condição de filósofa, impondo o silêncio sobre toda forma de manifestação contrária e crítica a este governo - como se o mesmo fosse o único na história brasileira a ter o direito de errar, afinal seria este o único governo genuinamente do povo brasileiro por ali estar um dentre nós, o humilde operário Luís Inácio, que um dia perdeu um dos dedos no torno mecânico. Vejamos...
NA DEMOCRACIA, A DOR PODE SER EXPRESSA

Após certo silêncio, que eu acreditava prudente, Marilena Chauí voltou a falar. Não fez o gesto de Marco Aurélio Garcia, mas tentou usar de um discurso aparentemente sofisticado para, em resumo, dizer a mesma coisa que o professor da UNICAMP disse de modo bem mais sincero. Fica difícil acreditar que foi a professora de filosofia da USP quem disse o que disse. Todavia, é o que está no Blog do Paulo Henrique Amorim, chamado “Conversa Afiada”. Ele disse que fez as perguntas para usar em um curso de “Telejornalismo”. Vejam um trecho significativo:

Paulo Henrique Amorim pergunta: “‘Em leituras da Crise’, a sra. discute a tentativa do impeachment do Presidente na chamada ‘crise do mensalão’. A sra. vê sinais de uma nova tentativa de impeachment ?
Resposta da professora: “Sim. Como eu disse acima, a mídia e setores da oposição política ainda estão inconformados com a reeleição de Lula e farão durante o segundo mandato o que fizeram durante o primeiro, isto é, a tentativa contínua de um golpe de Estado.”

Leitor, antes de seguir o que escrevo, volte ao trecho acima, leia mais uma vez. Pare e pense: como que uma professora da nossa querida USP pode confundir impeachment e golpe de Estado? E qual a razão dela querer repreender a oposição por ter quase tentado o impeachment no primeiro mandato do Lula, quando do episódio do “mensalão”? Por acaso a oposição e a imprensa deveriam ficar caladas e aceitar o que ocorreu? Ora, todos nós sabemos que a oposição até fez pouco! E quem está vendo militares rebelados, desafiando Lula e querendo que ele caia? E qual a razão pela qual alguns órgãos da mídia, que sabem que parte da responsabilidade pelo acidente do avião da TAM é do governo, ao usar isso para fazer oposição ao governo, estaria comprometida com golpe de Estado e não com legítimo desempenho de ser oposição?

Caso Marilena Chauí não fosse professora de filosofia, eu não escreveria o que escrevo aqui. Eu deixaria passar. Mas é necessário que alguém que ama a filosofia, tanto quanto ela, coloque a filosofia ao lado da democracia. Não posso ficar quieto. Tenho de dizer três coisas simples, mas que todos sabem que é verdade.

Primeiro: na democracia que vivemos as pessoas que ficaram indignadas e feridas com o acidente da TAM possuem o direito de reclamar, como estão fazendo, do governo, e a imprensa faz o serviço correto ao dar voz para tais pessoas, pois elas não teriam outro canal para reclamar senão o da imprensa. Diante do ocorrido, as pessoas afetadas direta ou indiretamente estão até que muito conformadas.

Segundo: estamos em uma democracia, e as pessoas que reclamaram e colocaram TODA a culpa no governo, podem estar erradas, mas elas não estão chamando militares para dar golpe de Estado em ninguém, e se algumas delas gritam “fora Lula”, talvez tenham aprendido isso com a atitude do PT, que por qualquer coisa escrevia em muros, sujando São Paulo, “fora Sarney”, “Fora FHC” etc. O PT ensinou as pessoas a serem mais agressivas e, talvez, até anti-democráticas, ensinou a vaiar Presidente fora de hora (como no PAN), e algumas dessas pessoas aprenderam isso.

Terceiro: é preferível, em uma democracia, ter uma mídia exacerbadamente aguerrida contra o governo que ter uma mídia subserviente, que escuta somente o Poder, pois, afinal, abaixar a cabeça para o governo é mais fácil, e lhe daria vantagens, uma vez que as estatais gastam bastante com os meios de comunicação. Então, qualquer pessoa, principalmente o filósofo, quando vê uma imprensa aguerrida contra um governo, deve agradecer o destino, pois o mais comum é ver a imprensa ceder às benesses do Poder, que não poupa tentativas de cooptação.

O que quer Marilena Chauí? Ela quer que suas respostas cheguem no curso do Paulo Henrique Amorim, na “Casa do Saber”, para convencer os ricos que votaram no Alckmin que eles são todos golpistas? Ou ela quer fazer como Jânio Quadros e Brizola, que na base do puro populismo atacavam as redes de TV e os grandes jornais, se colocando como vingadores do povo, e acusavam os meios de comunicação de serem só defensores dos magnatas?

Será que Marilena Chauí, no frigir dos ovos, acredita mesmo que as liberdades que temos deveriam ser denominadas de “liberdades burguesas” e, por causa desse qualificativo, deveriam ser substituídas por “liberdades populares”? Será que ela, a quatro paredes, acredita que Chomsky e outros que são amigos de Chávez, poderiam garantir a ela mesma, Chauí, liberdade para escrever seus longos livros, com salário pago por nós, em um regime que levasse o nome de “República Popular”? Se ela acredita nisso, tenho o dever de lhe dizer o seguinte: você está enganada professora.

O compromisso de Marilena Chauí com a chamada verdade é o seu compromisso com a chamada verdade do PT. Ela perdeu a autonomia como filósofa, pois acredita em uma mágica, a saber, que a filosofia poderia continuar existindo em uma situação em que a imprensa viesse a ver o que viu, em Congonhas, e ficar quieta. Não, a filosofia perderia muito sem democracia. Nenhum de nós, filósofos de esquerda, pode querer levantar um dedo contra a imprensa por ela fazer gritaria contra o governo no episódio da queda do avião da TAM, pois os problemas do nosso caos aéreo são problemas do governo e, enfim, a queda do avião está entre esses problemas. Quem acredita no que Marilena Chauí acredita vai terminar por endossar a idéia que o melhor lugar do mundo para se viver é aquele onde você ganha uma medalha em jogos internacionais e não pode recebê-la, tem de voltar para casa como cachorro com o rabinho entre as pernas. Não, filósofos de esquerda que são filósofos democratas, não podem mais defender isso.

Há a possibilidade de amar a filosofia, ser de esquerda e, ao mesmo tempo, ser suficientemente democrata para ver com bons olhos a liberdade de imprensa – a completa liberdade de imprensa, sem quaisquer restrições. Vociferar contra a imprensa, evocando supostos conceitos filosóficos, me parece claramente uma tentativa de torcer as coisas, de preparar terreno para que concordemos com o fim de nossa capacidade de crítica. E isso não é o trabalho do autêntico filósofo.

Paulo Ghiraldelli Jr. O Filósofo da Cidade de S. Paulo

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

A Igreja de Constantino vive, a Igreja de Jesus morreu: sob a luz de Nietzsche

Amigos e amigas, o assunto tratado hoje será a religião. Pela primeira vez aqui em meu blog vamos abordar, criticamente (sempre), o cristianismo - fé por excelência de nosso mundo ocidental.

Não é sem razão que fora lançado um livro que promete ser polêmico "O Livro Negro do Cristianismo" dos autores Jacopo Fo, Sergio Tomat e Laura Ma (editora Ediouro, 272 páginas, R$ 32,90), dando continuidade a uma série de obras de intenso caráter crítico-analítico "O Livro Negro do Capitalismo", "O Livro Negro do Comunismo" e "O Livro Negro do Colonialismo".

Mas por que olhar a religião, seja o Cristianismo ou não, com um olhar crítico? Oras, esta deve ser a postura de todo cientista das humanidades e além, em estudos históricos e estatísticos sabe-se que a maior causa de derramamento de sangue em toda a história da humanidade é a religião. Assim, como não estudar, atentamente, as suas instituições, seus paradigmas, sua historicidade, sua base ética, sua atuação social e política?

Tratarei aqui do Cristianismo pela simples razão de ser a religião do mundo ocidental. Cristianismo que hoje se encontra dividido em muitas ramificações, desde as clássicas divisões entre católicos e ortodoxos, católicos e protestantes (luteranos e calvinistas), e hoje uma série de agremiações pentecostais, neo-pentecostais que aqui entre nós brasileiros costumamos denominar como "crentes" ou mesmo "evangélicos".

Pegando o gancho da obra "Livro Negro do Cristianismo" quero aqui iniciar profunda reflexão: mesmo com tantos crimes comprovados ao longo da história a fé cristã ainda é válida para o ser humano?

Respondo de maneira simples - sim, e sempre. E a razão é sociológica, ou seja, não há vida em sociedade possível com a inexistência da fé, da religiosidade. Isto devido ao seu caráter agregador, conciliador, e também intimidador - se o indivíduo não for ético, se não seguir com a ordem moral, irá pagar (no mundo espiritual) por sua desobediência, seja nas dores infernais ou durante o dia do juízo. Assim, com a religiosidade, como a cristã, os seres humanos criam laços sociais mais sólidos, amparados numa lógica metafísica de união e temor ao desconhecido.

A religião tem origem antropológica, relacionada a capacidade humana de produzir sonhos, ou imagens produzidas pelo cérebro enquanto estamos repousando o restante de nossa máquina corporal. Pois o sonho de alguma maneira era interpretado pelos homens mais primitivos como uma segunda realidade, criando assim a noção de mundo espiritual e da co-existência carne/espírito. Com a complexização do mundo humano esta crença no espírito e no mundo espiritual foi tomando formas institucionais, com regras, visão de mundo, moral, genealogia e cosmologia próprias, daí resultando no que conhecemos como Igrejas ou Religiões.

O problema da religião, segundo minha visão, é a base de seu discurso: a fé. Ter fé é negar a racionalidade, as relações causais, a própria natureza. Aquele que crê nada mais deve fazer diante de sua fé senão continuar crendo, sem provas ou manifestações concretas de sua crença - apesar que tentam demonstrar isto por meio de fenômenos conhecidos como milagres.

Nietzsche, filósofo alemão do século XIX, o maior e mais sagaz crítico que o Cristianismo conheceu, escrevia assim em trecho de "O ANTICRISTO":






"SE A CRENÇA É O MAIS IMPORTANTE, TORNAR-SE-Á OBVIAMENTE IMPRESCINDÍVEL LANÇAR O DESCRÉDITO SOBRE A RAZÃO, O CONHECIMENTO, A PESQUISA: O CAMINHO DA VERDADE TORNA-SE UM CAMINHO PROIBIDO." NIETZSCHE.

Ou seja, o Cristianismo não consegue comportar dentro de si o conhecimento, pois este baterá de frente com a sua base ética, a fé. Conhecer, saber, através do uso da razão, é uma atividade perigosa, e a Igreja Cristã em sua história aponta isto - lembremos de Galileu pressionado a negar as suas certezas científicas para não levar o mesmo destino de Giordano Bruno, queimado pela "Santa" Inquisição Romana. A Igreja, em nome da fé, de sua fé, de sua visão de mundo, negava, peremptoriamente, que a Terra girava em torno do Sol! A mesma Igreja que ainda nega, com veemência, a teoria evolutiva de Charles Darwin. Assim o Cristianismo sobrevive na negação da verdade racional, e na afirmação da verdade via fé cega, surda e muda.

Em sua institucionalidade o Cristianismo adquiriu, a partir dos primeiros séculos depois da morte de seu Messias/Jesus, contornos romanos, imperiais. Graças ao imperador romano Constantino, que transformou uma fé romana em uma instituição romana. E como instituição romana agregou-se a sua fé o caráter imperial-administrativo, hierárquico e político. Hoje o Papa Bento XVI é o único rei absolutista do mundo pós-moderno, e o Vaticano ainda mantém seu caráter estatal (depois de acordo com Mussolini e o Tratado de Latrão, transformando o Vaticano em Estado soberano).

Não sou cristão, sou agnóstico. Mas uma coisa é certa, este cristianismo atual não é a pedra angular que Jesus construiu. A Igreja Católica e as Igrejas Cristãs Não-Católicas são filhas do Imperador Romano Constantino e não de seu messias fundador. Elas fazem política, elas são violentas (na ação e no discurso) e intolerantes (pouco dialogam entre si, formando e disputando um mercado de ovelhas desamparadas e desesperadas, e também não dialogam com a sociedade por entender que só ele mesma, Igreja, deve cuidar da conduta ético-moral das pessoas), elas derramaram e ainda derramam muito sangue.

Mas mesmo assim, ainda é válido, sociológicamente falando, manter a religião em sua posição de orientação e unidade social. Contudo, devemos ter a consciência de que o niilismo hoje vivido neste mundo pós-moderno não é sinônimo de um afastamento de Deus, mas um afastamento das Igrejas de sua base original, no caso do cristianismo o chamado "Cristianismo Primitivo", que a Teologia da Libertação de homens como Leonardo Boff tentaram readaptar para a realidade e miserabilidade da América Latina, mas que a intolerância romana, personificadas em João Paulo II e Bento XVI, impediram de seguir adiante em sua vocação essencial "viver com e pelos pobres". Ou algum pobre reúne condições de se casar numa Igreja cristã (o que ela compreende como um sacramento)? Pois é, muita hipocrisia.

Finalizando, encerro com mestre Nietzsche, em mais um trecho polêmico de sua filosofia do martelo, encontrada com riqueza e propriedade em "O ANTICRISTO":

"O QUE É BOM? - TUDO AQUILO QUE DESPERTA NO HOMEM O SENTIMENTO DE PODER, A VONTADE DE PODER, O PRÓPRIO PODER.
O QUE É MAL? - TUDO O QUE NASCE DA FRAQUEZA.
O QUE É A FELICIDADE? - A SENSAÇÃO DE QUE O PODER CRESCE, DE QUE UMA RESISTÊNCIA FOI VENCIDA.
NENHUM CONTENTAMENTO, MAS MAIS PODER. NÃO A PAZ ACIMA DE TUDO, MAS A GUERRA. NÃO A VIRTUDE, MAS O VALOR.
QUANTO AOS FRACOS, AOS INCAPAZES, ESSES QUE PEREÇAM: PRIMEIRO PRINCÍPIO DA NOSSA CARIDADE. E HÁ MESMO QUE OS AJUDAR A DESAPARECER! O QUE É MAIS NOCIVO DO QUE TODOS OS VÍCIOS? - A COMPAIXÃO QUE SUPORTA A AÇÃO EM BENEFÍCIO DE TODOS OS FRACOS, DE TODOS OS INCAPAZES: O CRISTIANISMO."

FRIEDRICH NIETZSCHE








































quarta-feira, 25 de julho de 2007

Paranóias do Lulismo Paralítico!


Amigos e amigas, e não é que o Presidente Lula demitiu alguém de seu governinho. Demorou, demorou demais, mas finalmente caiu o Ministro da Defesa (parece piada) Waldir Pires.


Ele sai e entra quem? O incorrigível lulismo e sua política sindicalista fazem agora renascer das cinzas o velho jurista Nelsom Jobim, do PMDB (o partido do amor). Jobim é uma espécie de "coringa" político do governo Lula, podendo ser utilizado em qualquer pasta do Estado, sempre pronto para dar a sua contribuição para que o governo não afunde em sua própria lama, ou seja, é o "tapa-buracos" por excelência do Palácio do Planalto.


Se vai dar certo ou não vai não sabemos. Mas certamente é melhor ficarmos com o ministro coringa do PMDB do que continuar com a infame permanência de Waldir Pires na pasta da Defesa.


O lulismo paralítico, novo conceito em política de Estado para tratarmos de Brasil nos últimos anos, vem mostrando nos últimos meses lances paranóicos - especialmente a maior de suas paranóias: "somos perseguidos pela grande mídia, pelas elites e pelos políticos golpistas".


Será que estes três elementos estavam no estádio do Maracanã vaiando o Presidente Lula em plena abertura dos jogos do Pan(aca) Rio 2007? Creio que em parte, mas que as vaias foram e são manifestações naturais, contrárias ao atual governo, disto não duvidem. E como começam a perder voz, a ficarem queimados perante a opinião pública e ao povão (curral político de Lula), reiniciam o velho jogo de que estão sendo perseguidos.


E se aceitarmos a hipótese de que são perseguidos, por que não questionarmos as razões de tamanha "perseguição"?


Parafraseando nosso ilustre Presidente "nunca antes neste país" assistimos a uma desordem institucional tão grande, a construção de uma política de morosidade aliada ao populismo barato que condena os pobres a permanecerem conscientemente pobres (pois receberão sempre do bom governinho os vales, as bolsas), a uma corrupção que escapa pelos dedos não pela ação do governo mas pela quantidade de atos corruptos (Sanguessugas, Vampiro/Waldomiro Diniz, Ambulâncias, Mensalão, Galtama, José Dirceu, Antônio Palocci e o caseiro, Apagão Aéreo) e pela centena de corruptores que se avolumam no PT e nas bases aliadas do governo.


E depois é tudo perseguição da mídia, das elites (como se os nossos governantes do PT e base aliada fossem realmente pessoas simples e representantes do povo), e dos políticos golpistas (uma piada, porque nunca vi uma oposição tão morna, tão besta, e que estão muito mais interessados no sangramento do país hoje e do próprio governo, já vislumbrando as eleições de 2010 que cairão nos braços do PSDB de Serra ou Aécio).


Se o governo se diz perseguido, o que diriam Getúlio, Juscelino, Goulart - massacrados por todos os lados durante os anos em que governaram este país. Não há hoje uma oposição como haviam UDN, PSD, ou até mesmo dos Integralistas, nos primeiros passos democráticos de nossa vida republicana. Hoje não há mais um Jânio Quadros, Plínio Salgado, Carlos Lacerda, ou mesmo um Mário Covas, um Brizola, para apontar o dedo para um governo como este. Lula impera sozinho num mar de lama, e vai azedando aos poucos com a própria sujeira que criou e cultivará ao longo de seus 8 anos de mandato.


Mas de onde vem, genealógicamente, esta paranóia lulista? Ela tem profundas raízes na esquerda brasileira que por décadas foi perseguida e até morta com violência, desde o Partidão (PCB) nas décadas de 20/30/40 até aos grupos guerrilheiros exilados, torturados ou mortos pelos governos militares, especialmente os dos generais Costa e Silva (1967-1969) e Médici (1970-1975). Nestes contextos sim foram realmente perseguidos, mas vivia-se em plena Guerra Fria (1945-1991) que já caiu por terra desde que a Rússia retomou o caminho da razão com Gorbatchev em 1991, dissolvendo o maor "elefante branco" do mundo: a URSS.


Os políticos que hoje governam este país pertenceram a esta esquerda dos anos 60, marcada pela violência (nos porões e nas guerrilhas urbanas ou rurais). É preciso lembrar aos amigos petistas que a Guerra Fria acabou, que o Socialismo foi um sonho que criado teoria mostrou-se tirânico e perverso na vida real (como aponta Adorno ligando comunismo e fascismo) e que por conseguinte foi derrotado pela dinâmica capitalista e pelo viés político líbero-democrático, que os velhos generais torturadores estão ou velhos ou mortos e que não mais sairão dos quartéis (porque governar este país é coisa de louco, e por isso o general Figueiredo entregou o osso rapidinho). Então, camaradas, o que há, realmente, não é perseguição, mesmo que alguns debatedores políticos da grande mídia se mostrem raivosos ou rancorosos (como Mainardi e Veja), mas sim crítica e arrependimento - pois o PT construiu uma aura ética, e Lula foi usado para consolidar esta visão (via Presidente-Operário), contudo os anos de governo, a confiança do povo brasileiro, vão se desfazendo nestes anos todos, devagar, favorecidos pela incompetência de sua oposição (PSDB, PMDB e DEMOCRATAS não conseguem ser ou fazer oposição), e assim a política nacional cai, aos poucos em total descrédito.


E então, com a política desacreditada, em seguida contaminaremos nossa híbrida democracia com a desconfiança, e então tudo estará perdido novamente, como já apontava Hannah Arendt quando buscava compreender a origem do totalitarismo, e o Brasil será seduzido por uma nova ordem, certamente autoritária, ou a direita ou a esquerda (bastando surgir, nos próximos tempos, uma nova figura carismática, no sentido weberiano do termo.


Abraços indignados com este país, desgovernado (como um Airbus gigante sem piloto, caindo dos céus rumo ao nada, ao abismo). E de um povo bom, ingênuo, só não mais ingênuo que a esquerda nacional.


segunda-feira, 23 de julho de 2007

TURBULÊNCIA NACIONAL



Amigos e amigas, mais um trágico acidente aéreo na recente história brasileira, hoje, num período de 1 ano (2006/2007), contabilizamos um saldo deplorável de 351 cidadãos mortos envolvidos nas duas crises, do sistema aéreo e conqüente colisão no ar de dois aviões em 2006, e agora da colisão entre um avião e um prédio utilizado como depósito da companhia aérea TAM quando do pouso do mesmo avião (um gigantesco Airbus da mesma TAM) no agora questionado aeroporto de Congonhas.

Nos últimos dias li e ouvi dois comentários que considero pertinentes, primeiro de Arnaldo Jabor na rádio CBN, e outro nas palavras de Gerard Thomas, diretor de teatro, que escreveu na Folha de São Paulo desta segunda-feira, 23 de julho de 2007.

Início com Thomas, reproduzindo suas palavras "...O QUE ESTÁ ERRADO COM O AEROPORTO DE CONGONHAS NÃO É O AEROPORTO, MAS SIM O QUE DEIXARAM CRESCER EM TORNO DELE: A FLORESTA DE CONCRETO DO TERCEIRO MUNDO EMERGENTE". Aqui se aplicam a ganância destas novas empresas do setor aéreo (com crescimento da demanda de passageiros) e a insegurança de se pousar naquele local, cercado por uma classe de emergentes sociais que acabaram por verticalizar cada vez mais todo o perímetro urbano no qual se insere o aeroporto de Congonhas.

Agora com o cineasta Jabor, que em seu boletim diário na rádio CBN, aponta este "desgoverno", esta paralisia estatal, como facilitadora para esta situação caótica em que agoniza o nosso setor aéreo. Mesmo que Lula e o seu desgoverno não tenham culpa sobre o acidente da última terça-feira, uma coisa é certa: do jeito que está não dá mais! Dirigentes da Anac receberam medalhas de honra ao mérito por "serviços prestados ao país" das mãos do comandante da Aeronáutica Juniti Saito, a quem agora chamarei de "japonês voador". Pois é, e Lula que veio se pronunciar 3 dias após a catástrofe! E Marco Aurélio Garcia flagrado ao apontar com gestos que aqueles que intencionavam ligar o acidente da TAM ao seu governinho "se foderam"! Quantos aviões ainda terão que cair para o povo brasileiro acordar, organizar manifestações públicas de repúdio a tudo isto que está aí!?

Depois perguntam por que Lula foi vaiado na abertura do Pan-Rio 2007, oras nossa paciência está nos limites, em especial das classes médias (que utilizam o transporte aéreo).

Lula afirmou que irá construir um novo aeroporto na cidade de São Paulo, para felicidade dos empreiteiros brasileiros. O Presidente só não fala que para isso sair do gogó e virar realidade demorará, pelo menos, 5 anos de intensos trabalhos. Ou seja, esta conta e mais o desperdício de bilhões de reais sacados dos cofres públicos para a organização deste ridículo Pan-Rio 2007 (o mais caro de toda história dos jogos Pan-americanos) cairão sobre o próximo governante deste país, que se Deus quiser não virá do PT e nem da base aliada deste desgoverno, incompetente e paralítico.

NESTA SEMANA NÃO INDICAREI NENHUMA LEITURA, POIS NÃO É O MOMENTO DE LER, É MOMENTO DE AGIR:
FORA LULA!
FORA MINISTRO DA DEFESA!
FORA ANAC!
FORA TAM!
FORA PT E ALIADOS!
FORA MARCO AURÉLIO GARCIA!

ESTE PAÍS PRECISA, COMO NA CAMPANHA PRESIDENCIAL DE 1959, DE UM POLÍTICO COM UMA VASSOUSA NA MÃO - AO ESTILO DO BOM E SAUDOSO PRESIDENTE JÂNIO QUADROS.

ESTOU EM LUTO! PELA VÍTIMAS DO ACIDENTE AÉREO DA TAM E PELA PERDA DO SENADOR ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES (DEMOCRATAS-BA).

ABRAÇOS LIBERAIS A TODOS.














quarta-feira, 4 de julho de 2007

O Troco da Bandeirinha!



Esta semana deve chegar as bancas de todo o país a edição da revista Playboy com a auxiliar de arbitragem, vulgo "bandeirinha", Ana Paula de Oliveira.



Antes de mais nada, é importante que eu afirme: mulheres devem, no pensamento, trabalhar em jogos de futebol como árbitras, auxiliares, em jogos de futebol feminino, e não no esporte masculino visto que sempre irá imperar, neste meio, muito preconceito, discriminação, e ela sempre será questionada como mulher e não como profissional do esporte.



Exemplo disto são os casos de erros recentes de arbitragem: do gaúcho Carlos Eugênio Simon na partida entre Botafogo x Atlético/MG, e da própria Ana Paula na partida decisiva entre Botafogo vs Figueirense, ambas partidas pela Copa do Brasil deste ano. Para o erro de Simon o gaúcho recebera punição leve, moderada, e ontem mesmo apitou a partida da Copa América na Venezuela entre Argetina vs Colômbia. E para Ana Paula? Uma severa punição e a jovem e bela auxiliar de arbitragem foi "bandeirar" numa partida da 4º divisão do Campeonato Paulista, sendo humilhada por todos os lados por dirigentes do futebol e torcedores machistas.



Ana Paula, que já em edições anteriores havia dado uma entrevista a revista masculina, já deveria ter em mãos uma proposta, porém preservando a sua posição de auxiliar de arbitragem e com objetivo de chegar a uma Copa do Mundo, de maneira consciente, acabava não aceitando qualquer oferta.



Mas com a severa punição imposta pela CBF, com as críticas machistas vindo de todos os lados, questionada até os limites do suportável, Ana Paula deve ter chegado a convicção de que sua carreira dentro do futebol estava condenada a um melancólico e frustrante final. E então, de maneira inteligente e crítica, a mesma Ana Paula agora chega as bancas nua em pêlos, após acordados R$ 550.000,00 como pagamento pelas fotos. Isso mesmo Ana, bem feito aos babacas que rodeiam e comandam o nosso futebol. Vão ter que engolir o seu sucesso, pois esta revista já causa frisson entre torcedores, jornalistas, cronistas, no mundo do futebol - e assim Ana terá ganhos com a venda das revistas, e com contratos comerciais que irão chover em suas mãos após a chegada da Playboy de julho nas bancas.



Que me desculpem os meus leitores, mas estou com nojo do Congresso Nacional brasileiro, especialmente dos nossos velhinhos do Senado. Por isso, não dá, e para relaxar, de alguma maneira, decidi escrever sobre o caso Ana Paula de Oliveira e a revista Playboy deste mês - que de maneira sociológica demonstra quanto o brasileiro é machista, e pior, hipócrita.



Hipocrisia que se estampa na cara de cronistas e jornalistas do esporte bretão que quando perguntados se vão ou não vão adquirir a revista insistem em responder que não, que não comprariam pelas esposas, ou que só os amigos vão comprar, e assim saindo pela tangente. Hipócritas!!!!



Futebol brasileiro que anda marcado pela sexualidade, iniciado com a revista de Ana Paula de Oliveira, e agora com a suposta homossexualidade assumida, via programa Fantástico da rede Globo, por um dos jogadores do São Paulo Futebol Clube, que tem seus torcedores chamados pelos rivais de "bambis". E assim o futebol brasileiro vai adquirindo contornos de caso terapêutico freudiano.





  • Indicação de Leitura

Considerado o primeiro cientista político da história do pensamento moderno, Nicolau Maquiavel dedicou o grande livro "O PRÍNCIPE" para o governante de sua Florença, da poderosa família dos Médici.


Nesta obra Maquiavel elabora uma espécie de manual prático da vida política, baseado especialmente nos exemplos da política clássica de gregos e romanos, e mostrando em pormenores como um governante, um príncipe, deve proceder moralmente e politicamente para preservar-se no poder.


Pensador que muitas vezes, e de maneira injusta, é considerado imoral, inclusive gerando o adjetivo pejorativo "maquiavélico", Nicolau traz nesta obra discussões interessantes como o famoso "se para o príncipe é melhor ser amado ou ser temido por seu povo".


Homem característico da era moderna e renascentista, Maquiavel transcende toda a idealização política (o governo ideal, o governante ideal) que vigorava desde Platão e mostra a política moderna como ela era, nua e crua, amparado historicamente para isto.


Boa leitura!