domingo, 23 de setembro de 2007

O FIM DA CPMF - SAÍDA PARA O SENADO E A MORTE DO GOVERNO LULA

Na última semana a Câmara dos Deputados votou em plenário voto favorável a continuidade, por mais 4 anos, do "imposto do cheque", das transações e movimentações financeiras - a CPMF.

CPMF criada no governo Fernando Henrique Cardoso, aliado ao então ministro da Saúde o cardiologista Adib Jatene - imposto que seria revertido a saúde do povo brasileiro, mais especificamente investido em nosso SUS. E naquela época, fazendo ferrenha oposição, lá estavam os petistas grunhindo contrários ao novo imposto. Quanta ironia. Hoje no poder, Lula e seus aceclas clamam pela continuidade do imposto, hoje com alíquota maior que a original (hoje 0,38%), dizendo que sem ela não há como o governo fechar as suas contas e manter os seus programas sociais, como o Bolsa Família.

Aí está! Sim, aqui está a chave para que o Senado da República ressuscite, renasça como uma ave Fênix em defesa da população brasileira (em pesquisa 54% contrários a cobrança da CPMF).

Senadores que hoje "descansam" no mais absoluto Inferno, após o suicídio cometido no "Renan Gate", sejam homens, sejam cidadãos, saiam deste estado moribundo e de surdez sem igual, e dêem a população brasileira uma resposta de força votando CONTRA A CPMF.

Para aprová-la no Senado federal o governo necessitará de 49 votos favoráveis a cobrança do imposto, e sabemos, pelo painel do Renan Gate, de que o governo possui 40 votos contrários aos seus interesses e bastarão que eles se mantenham, que não haja mais nenhuma traição aos interesses públicos, para que a CPMF não passe no Congresso Nacional.

Por isso Lula esperneia agora, falando que nenhum governo abriria mão destes recursos. Todos estãos preocupados, afinal o fim da CPMF pode começar a desmoronar o tão "aclamado" bolsa família, quando o imposto deveria estar sendo investido na saúde (vide a greve que perdurou no nordeste e o caos que hoje vive o SUS nesta região, como exemplo).

A única saída para o governo, infelizmente, será a utilização das estatais, dos cabides de emprego, das direções das empresas nacionais, para os partidos que se aliarem ao governo na luta pela prorrogação deste infame imposto (cobrado sobre bases não-produtivas, mas na simples movimentação de capitais) que um dia o PT e Lula clamavam pelo seu fim e que hoje defendem com unhas e dentes! Isso que dá transformar o Estado brasileiro num monstro cada vez maior, pois ele necessitará sugar-nos cada dia mais - e em algum momento, talvez agora, as contas públicas irão começar a não fechar e o país pagará alto preço pelos 8 anos do governo Lula. Bem feito?

Abraços liberais.
PELO FIM DA CPMF, PELA REFORMA TRIBUTÁRIA JÁ.
PELO ESTADO MÍNIMO.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Reestatizar a Vale do Rio Doce? JAMAIS!


A vale é nossa”, pois é, só faltava essa agora. O esquerdismo brasileiro, caducante e agora tomado pelas euforias e delírios do chavismo venezuelano e especialmente do governo cocaleiro boliviano, nas últimas semanas tem organizado plebiscito (será que alguém votou nisso ai?) para saber se a sociedade brasileira apóia ou não a reestatização da Companhia Vale do Rio Doce – megaempresa produtora de aço.

O que ninguém fala é por que este pessoal, capitaniados pelos petistas ladrões, agora quer recolocar isto em discussão. Está claro, amigos e amigas: os companheiros petistas precisam de bons empregos, precisam de mais dinheiro público para gastar a vontade com suas bolsas sociais e projetos de distribuição de renda (R$ 50,00 é renda? Você viveria com isso?), os petistas precisam de mais cargos públicos (como se os 80 mil novos funcionários públicos a serem contratados em 2008 não fossem mais do que suficientes). E a CVRD é um “prato cheio” com seus consecutivos lucros, saindo da condição de mais uma empresa estatal brasileira pouco lucrativa para, após a devida privatização, atingir exorbitantes margens de lucro e a condição de liderança e alta competitividade no mercado internacional de aço.

A esquerda é um “bezerro” desmamado e compulsivo, ela quer mamar, mamar, até secar todo o leite, ou melhor, o suor do povo. Ela quer se entrincheirar, como o PT já faz desde 2002, no Estado brasileiro e ali talvez governar por décadas, sempre em nome das minorias, dos miseráveis, que se avolumam neste país a cada dia.

É a mesma esquerda que lembra com saudosismo das teóricas “ditaduras do proletariado”, do Estado soviético, do partido único, que primeiro tomava a propriedade de todos em nome da coletividade e que logo se transmutava numa nova e maléfica concentração de riqueza e poder em torno de um núcleo central, de uma aristocracia partidária. Este é o sonho dourado, bucólico, de personagens como José Dirceu, Dilma Roussef, Aluísio Mercadante, José Genuíno, Berzoini, e claro, do líder carismático e imbecil Lula da Silva.

Não é nem preciso pensar muito e ver que reestatizar a CVRD é política atrasada, anacrônica e talvez perversa. E eles usam o bom e velho argumento de que a CVRD é “nossa”!! Hahahaha......que piada de mau gosto, pois a CVRD não é nossa e nunca foi nossa, assim como a Petrobrás e demais monstros do Estado brasileiro.

Você que agora me lê, me responda: qual a sua participação nestas empresas? Os lucros ou prejuízos delas alguma vez atingira a sua condição social ou econômica? A escolha das diretorias destas empresas é feita de maneira transparente, sempre com técnicos competentes e reconhecidos pelo mercado ou sempre é pelas vias da indicação política, de caráter partidário?

A CVRD vai muito bem obrigado, e lógico, devido ao seu distanciamento do estatismo, tornando-se uma entidade privada e competente, racionalizada, funcional, enxuta, e bem posicionada ou inserida no mundo pós-moderno globalizado. Parabéns aos seus funcionários e direção, pois caminham pela estrada do lucro e do progresso.

E os petistas, derrotados na questão da CVRD, que vão pra cama chorar que é lugar quente, e parem de insistir colocar o Brasil nas trilhas anacrônicas do estatismo, do coletivismo, do populismo e do seu falso Estado de bem-estar social. Ou bolsa família é bem-estar social? Não brinquem comigo.

Na postagem de hoje quero aqui homenagear um dos prismas maiores do pensamento liberal - falecido ano passado, o prof. norte-americano Milton Friedman.

Nada melhor, para nós brasileiros que presenciamos a cada ano o inchaço irresponsável do Estado brasileiro e de sua política de ineficácia liderados pelo projeto lulista, do que rememorar e refletir sobre a relação entre liberdade e política, liberdade e Estado, a partir do pensamento de Friedman.

No trecho aqui apresentado, retirado da obra CAPITALISMO E LIBERDADE em que Friedman escrevera conjuntamente com sua esposa prof. Rose Friedman, os autores discutem um pouco sobre liberdades individuais, o papel do Estado perante uma sociedade que prima pela liberdade, o mercado como manifestação das liberdades individuais, a opressão do intervencionismo estatal, etc...

Abraços liberais.

"Em uma passagem muito citada em seu discurso de posse, O presidente Kennedy afirmou: “não pergunte o que o seu país pode fazer por você; pergunte o que você pode fazer por ele”. Nenhuma das duas partes da frase expressa uma relação entre os cidadãos e seu governo, digna dos ideais de uma sociedade de homens livres. A frase paternalista, “o que o seu país pode fazer por você”, implica que o governo é o protetor e o cidadão o tutelado, o que contraria a crença de que um homem livre é responsável por seu próprio destino. A frase, “o que você pode fazer por ele”, coloca o governo na posição de senhor e divindade, e o cidadão, na de servo e devoto.

O homem livre não perguntará o que o seu país pode fazer por ele ou o que pode ele fazer por seu país. Perguntará: “o que eu e meus compatriotas podemos fazer por meio do governo” para que cada um de nós possa assumir suas responsabilidades para alcançar nossos propósitos e objetivos e, acima de tudo, para proteger nossa liberdade? E acrescentará a essa, outra pergunta: como podemos impedir que o governo que criamos se torne um monstro que venha a destruir justamente a liberdade para cuja proteção nós o instituímos e mantemos?

A liberdade é uma planta rara e delicada. Nossas mentes nos informam, e a história confirma, que a maior ameaça à liberdade é a concentração do poder. O Estado é um meio necessário por meio do qual podemos exercer e preservar nossa liberdade; entretanto, como concentra o poder através do processo político, constitui ao mesmo tempo uma ameaça à liberdade.

Como podemos nos beneficiar das garantias do Estado sem por em risco a liberdade? Dois princípios gerais dão a resposta que tem preservado até hoje nos tem mantidos livres.

O primeiro princípio é o de que o papel do Estado deve ser limitado. Sua principal função deve ser a de proteger nossa liberdade, tanto contra inimigos externos como contra os inimigos internos dentre os nossos próprios compatriotas: preservar a lei e a ordem, fazer valer os contratos privados, promover mercados competitivos. O segundo princípio é o de que o poder do Estado deve ser disperso. Se o Estado deve exercer o poder, é melhor que o exerça no município que no estado; e melhor no estado que na federação.

1. A relação entre a liberdade econômica e a liberdade política

Toma-se como certo que a política e a economia são departamentos estanques; que a liberdade individual é uma questão política, e que o bem-estar material uma questão econômica; e que qualquer forma de organização política pode ser combinada com qualquer tipo de ordem econômica. A principal dessas crenças é a defesa do “socialismo democrático” pelos que condenam as restrições à liberdade individual do “socialismo real”, mas que acreditam que o planejamento central da economia é compatível com a liberdade individual.

Esse ponto de vista é ilusório. Existe uma estreita relação entre a economia e a política. Somente algumas combinações de sistemas políticos e ordens econômicas são possíveis, e uma sociedade socialista não pode ser democrática e garantir a liberdade individual.

Em uma sociedade livre, a ordem econômica desempenha dois papéis: a liberdade econômica é parte da liberdade como um todo, constituindo um fim em si mesma; e a liberdade econômica é um meio indispensável à liberdade política, por seus efeitos sobre a concentração ou a dispersão do poder. O capitalismo competitivo é o tipo de ordem que, ao separar o poder econômico do poder político, permite o controle de um sobre o outro.

O problema econômico central é o de coordenar as ações de um imenso número de indivíduos, decorrente da divisão do trabalho e da especialização. O desafio de uma ordem liberal é conciliar essa interdependência econômica dos indivíduos com a liberdade individual.

Só há duas formas de coordenar as atividades econômicas. Uma é o planejamento central, secundado pela coerção: é a técnica do Exército e do Estado totalitário moderno. A outra é a cooperação voluntária dos indivíduos: a economia de mercado.

Sempre que uma transação econômica é voluntária e as partes envolvidas estão informadas sobre o objeto da transação, ela resultará sempre em benefício mútuo para as partes, ou não ocorrerá. Pela troca, portanto, torna-se possível a coordenação sem coerção. A economia de mercado baseada na empresa privada, o capitalismo competitivo, está baseada na troca voluntária. Numa ordem social desse tipo, o consumidor é protegido da coerção de um vendedor pela competição entre os demais vendedores no mercado. O empregado é protegido da coerção do empregador pela competição dos outros empregadores, e assim por diante. E o mercado faz isso, de forma impessoal e automática, sem nenhum planejamento centralizado.

A existência de um mercado livre não elimina a necessidade do Estado. Ele é essencial para determinar as “regras do jogo” e para interpretar e fazer valer as regras estabelecidas. Dadas as regras do jogo, o papel do mercado é reduzir o número de questões que devem ser decididas pelo processo político e minimizar a participação do Estado no jogo.

2. O papel do Estado em uma sociedade livre

O papel do mercado pode ser refraseado: o de permitir a unanimidade sem conformidade, constituindo um sistema de efetiva representação proporcional, em que cada indivíduo no papel de consumidor escolhe (“vota”) com seu próprio dinheiro. Ao contrário, o proceso político tende a exigir a conformidade, porque cada questão deve ser decidido por um “sim” ou um “não”, e o resultado da votação aplica-se igualmente a todos.

Nem sempre, contudo, é possível a representação proporcional no mercado. Com relação a certos itens indivisíveis, não dispomos de alternativas ao processo político para dirimir as diferenças de opinião. Defesa nacional é um, detre muitos exemplos.

O Estado como legislador e árbitro

Assim como um bom jogo exige que os jogadores aceitem tanto as regras quanto o árbitro encarregado de interpretá-las e de aplicá-las, uma boa sociedade exige que seus membros concordem com as condições que regulem as relações entre eles, com o modo de arbitrar interpretações diferentes dessas condições e com algum dispositivo para garantir o cumprimento das regras aceitas. Em uma sociedade livre, o árbitro – o Estado – restringe-se a essas funções. A necessidade do Estado nesta área decorre da impossibilidade da liberdade absoluta: a liberdade de uns deve ser limitada para preservar a dos outros."



quarta-feira, 12 de setembro de 2007

O SENADO MORREU ESTA TARDE


Amigos e amigas, não pude me conter. A pouco mais de uma hora o Senado brasileiro morreu.
Isso mesmo, não sabiam caros leitores, o Senado brasileiro está morto. Causa da morte: asfixia. E pior, não morreu pela doença que o aflige a mais de cem dias (a letargia, a incompetência, o distanciamento de qualquer base popular e a corrupção) mas cometera suicídio.
Hoje a tarde o Senado se matou!
Absolver Renan é legitimar a falta de ética, a ganância e a politicagem. E assim o fizeram 40 senadores de nossa imaginária república. República que se fragmenta, se dissolve num bando de políticos que lá estão para tudo, menos para nos representar.
É um daqueles dias em que temos vergonha de ser brasileiro. É um daqueles dias em que a revolta é tamanha que dá vontade de romper os limites da razão e sair as ruas para destruir tudo o que está ai.
E não se enganem, quem votou a favor de Renan, e contra o país, foram a base aliada, ou melhor alijada, deste desgoverno petista. Sim, Lula tem suas garras nisso ai, não sejamos ingênuos.
A sociedade brasileira já respira radicalidade, pois o lulismo polariza os brasileiros e agora o Senado dá claras mostras de que não representa o povo brasileiro e também que não respeita a vontade popular. Pois é, hoje o Brasil está pior. Nossa democracia mostra-se alinhada com a impunidade, o que é um antagonismo fatal, apontando para um país que cada dia mais coloca em descrédito as suas instituições que só se dizem democráticas no discurso, visto que são oligárquicas (como sempre mostra a história brasileira desde os tempos imperiais) na realidade.
E não se enganem se Renan renunciar a Presidência do Senado nos próximos dias, o que confirmaria a negociata com o petismo (absolvição em troca de sua saída da liderança do Congresso Nacional).
Bom, o fato está consumado e agora só nos resta enterrar o nosso Senado, pois este não merece nem um velório - pois não há como velar a nossa própria vergonha.
Descanse em paz Senado brasileiro, e caros e ilustres senadores, façam-nos um favor: vão para o inferno!



sexta-feira, 7 de setembro de 2007

A ESQUERDA EM CRISE - REFUNDEMOS A REPÚBLICA NACIONAL

A esquerda brasileira ainda não se recuperou da queda do muro de Berlim, do fim do projeto socialista pelas vias elaboradas desde a pedra angular do século 19 com Marx e Engels até os anos sessenta do último século com o que chamo de “triplo caminho para o abismo”: os modelos sócio-político-econômicos chinês, soviético e cubano.

Quem é a esquerda hoje? O Partido dos Trabalhadores, duvido muito. O PT está mais próximo do velho Partido da Frente Liberal (PFL) do que se poderia imaginar, bastando para isso assistirmos a sua consolidação como partido forte na região antes habitat natural do pefelismo: o Nordeste. Lula se reelegeu, ano passado, com o voto em uníssono do nordeste brasileiro e seu incalculável grotão de miséria, devidamente servilizado pelo bolsa família. A região centro-sul do país, onde se concentra a população marcadamente mais escolarizada, com melhores condições de vida, sejam nas camadas medianas ou mais ricas, abandonou Lula após 4 anos de muitas frustrações e desilusões entre 2002-2006.

E o PSDB? Não difere muito do projeto e do modelo petista de governar, de pensar e fazer política. São verdadeiras “farinhas do mesmo saco” ideológico, a social-democracia com vinculações tipicamente européias. Se o PT se construiu pela via popular, o PSDB se construiu pela via acadêmica, mesmo que surgido como rachadura do PMDB.

É o fenômeno que apontamos como a “geléia geral” da política brasileira. Todos são iguais, todos agem da mesma forma e pensam da mesma maneira. O que difere uns dos outros é detalhe mínimo, por isso a importância hoje dada aos marketeiros políticos – vejam o que o PT gastou com Lula Mendonça nas eleições de 2002!! Ao marketeiro é dada a difícil missão de construir um candidato, com perfil vencedor, que convença os eleitores brasileiros de que vale a pena votar nele e que ele é diferente dos demais, diferente do que está ai medianamente.

Assim, a “esperança” depositada em Lula em 2002 se construiu e se mostrou como argumento mais do que suficiente para sua vitória nas urnas. Depois de 8 anos com o PSDB e Fernando Henrique no poder isso ficou ainda mais fácil, já que o segundo mandato do PSDB arruinou o governo e o desgastou com a população – ávida por mudanças, transformações, que hoje sabemos que não vieram e não virão com Lula e o PT.

Mostra de que a esquerda, especialmente a brasileira, entrou em colapso é de que os dois grandes partidos que se dizem de esquerda, PT e PSDB, não o são. Os dois, só como exemplo, governando o Brasil desde 1994 (portanto 13 anos, alternando poderes) ainda não conseguiram e não implacaram qualquer avanço com relação a reforma agrária. E pior, ação social, uma agenda necessária para uma política de esquerda, transformou-se ao longo dos anos em neo-populismo com os bolsões oferecidos pelo Estado brasileiro que de elefante branco se transformará em baleia azul muito em breve.

E os que ainda carregam a “foice e o martelo” consigo: PSOL, PSTU, PCO, PC do B, PSB, PPS, são filhotes mutantes do “triplo caminho para o abismo”. Bradam revoluções infra-estruturais, dinamitam o capitalismo e o transformam em causa de todos os problemas, e se organizam, raivosamente (com espumas nos lábios mesmo) em movimentos sociais dos mais variados (desde associação de moradores, de bairro, entidades que representam os interesses de raças, credos, orientação sexual, ONGS, grupos que defendem a ecologia e a preservação do meio ambiente, grupos contra-culturais, etc).

Fico imaginando o que Marx e Engels estão sentindo em seu descanso eterno no inferno: muita vergonha e ira, certamente. O que as sociedades realizaram com o projeto original e utópico dos dois é uma amostra da complexidade dos seres humanos e de nossa infeliz capacidade de deturpar qualquer coisa ou pensamento em nome de uma verdade própria, já entendida como verdade a priori antes mesmo de imaginarmos construí-la.

Stálin e outros ditadores que o projeto socialista produziu fizeram uso da miserabilidade popular e da teoria marxiana para se instaurarem e se perpetuarem no poder, de maneira a governarem de maneira absoluta e inquestionável. E tudo sob o véu de um governo dito “popular” ou mesmo “revolucionário”. Afinal, como ir contra a vontade geral, a vontade popular? O argumento era uma justificativa plausível e eficiente.

Muitos morreram em nome do “povo”. Muitas cabeças rolaram, pescoços foram quebrados, pela vontade “popular”. A “vontade popular” que faz uso da dialética pela teoria que lhe dera o poder, mas que na vida prática não aceita a mesma dialética, visto que a “vontade popular” não consegue lidar com contradições. Não há contradições, diriam, pois o projeto final da sociedade é este comunismo no qual diziam estar caminhando em pisadas firmes.

E o que seria uma esquerda ainda possível? Aquela que se desligasse das raízes do marxismo, do próprio projeto socialista. Aquela que fizesse a leitura real do mundo pós-moderno em que vivemos, globalizado, mundializado e mercadilizado. Que lutasse, sempre, pelos direitos mais fundamentais dos homens, e não por uma classe de seres iluminados ou puros. Uma esquerda progressista, liberal e democrática.

Progressismo no trato com a política econômica, priorizando investimentos em setores estratégicos do país, que gerem riqueza, lucros, empregos e renda dentro do país. Liberalismo no trato com a sociedade, defendendo o respeito a vida, a propriedade e a dignidade humana – combatendo o crime, a impunidade, fazendo valer as leis. Democracia no trato com os mecanismos administrativos, na transparência da vida pública, na fiscalização do que é público, na garantia de que os impostos serão sempre destinados ao que é correto e melhor para o país.

Aliás, entendo que a divergência “esquerda e direita” deveria ser abandonada. Primeiro porque, antes de tudo, somos animais políticos por natureza (no sentido aristotélico), e depois a classe política de hoje, desde a modernidade, tende a se tornar uma categoria altamente profissional (como aponta Max Weber). Os políticos somos todos nós, porém o Estado moderno incorporou em si uma nova ordem política – dos políticos profissionais. E nós, amadores e profissionais, estamos todos, conscientes ou não, mergulhados no jogo político, na tomada de decisões dentro do que seria a nossa morada, a nossa “polis”.
Que caminhos devemos seguir? A esquerda ou a direita? As opções são tão variadas, e entrepostas, em termos de propostas e proposições, e o modelo democrático estimula tanto o debate de idéias, que não há como polarizar a vida política – seria uma espécie de ingenuidade intelectual (carregando ainda um pouco da cultura de Guerra Fria, de um lado os socialistas, os interessados na ação social e no coletivismo, e de outro os capitalistas, os interessados no livre jogo de mercado e nos interesses privados).

O que nós, enquanto brasileiros, deveríamos nos preocupar, era numa outra polarização: quem são honestos e quem são desonestos? Quem são comprometidos com o país e quem são comprometidos só consigo mesmos? E após vislumbrarmos toda esta realidade, separando o joio do trigo em termos práticos e não ideológicos, reiniciaríamos a nossa vida política – que parece necessitar ser reiniciada, do zero mesmo: que refundemos a nossa República, por uma nova e verdadeira república brasileira.

QUANDO TUDO VOLTAR AO NORMAL...

Será o dia em que:

- GENUINO será algo verdadeiro;
- GENRO apenas o marido da filha;
- SEVERINO apenas o
porteiro do prédio.
- FREUD voltará a ser o só criador da Psicanálise;
- LORENZETTI será só uma marca de chuveiro;
- GREENGALGH voltará a ser
um almirante que participou de nossa história;
- Dirceu, Palloci,
Delúbio, Silvio Pereira, Berzoini, Gedimar, Valdebran, Bargas, Expedito
Veloso, Gushiken, etc, serão simples presidiários.

- E LULA APENAS UM FRUTO DO MAR.

Agora quando olho meu titulo de eleitor entendo o
verdadeiro significado de "ZONA ELEITORAL".

E não é que o amigo Paulo Ghiraldelli Junior também “cansou”. Parabéns professor!
Até eu cansei

Até eu cansei. Ao ler nos jornais que a mãe de Grazi (BBB) recebia bolsa família, e que não teria ido mais pegar o dinheiro e, no entanto, o dinheiro estava sendo depositado, não consigo não sentir uma profunda prostração. Sim, é cansaço. O governo Lula está conseguindo nos derrotar. Não é só incompetência generalizada o que vemos. Não é só roubo. É pior que isso. É descaso para com a opinião pública.

O MEC vinha financiado o programa Brasil Alfabetizado, mas o dinheiro não chegava a lugar algum. Mas, como os que pegavam o dinheiro eram petistas ou ligados a instituições próximas de petistas ou do PT, não precisavam prestar contas. E isso não foi escândalo em um ministério administrado por um ministro picareta, foi na Educação, com o Fernando Haddad, que tenho em alta conta. E agora, mais essa, também em uma área social que tem a ver com a questão educacional. Isto é, começamos a perceber que o programa Bolsa Família – que já é um mal em si – é um escoadouro de dinheiro sem qualquer precaução ou administração.

Ao mesmo tempo em que isso ocorre, cada vez que tentamos nos relacionar com o governo ou com o funcionalismo público mais diretamente ligado ao poder central, mais percebemos que se trata de um governo que tem falta de quadros. Vai melhorar seus quadros? Não! Apenas está aumentando o número de cargos de confiança, sem que consiga provar a sua necessidade.

Por todo lado que tentamos fazer algo, nada funciona. E vamos realmente ficando cansados.

A Belíndia está desaparecendo. A Belíndia era como chamávamos o Brasil, que pelo fosso entre ricos e pobres e entre pólos desenvolvidos e pólos subdesenvolvidos, havia gerado um país que era a junção de dois, a Índia, do Terceiro Mundo e a Bélgica, do Primeiro Mundo. Agora não temos mais isso. A Bélgica que existia dentro do Brasil está desaparecendo. Fica claro quando freqüentamos lugares de classe média e média alta, e percebemos que eles estão degradados, em todos os sentidos.

Aeroporto era lugar de classe média – não funciona. Companhias aéreas tinham charme. Elas não possuem mais nenhum. Livrarias famosas já não possuem livreiros que conheçam livros, e embora tenham sofisticados cafés internos, seus banheiros não funcionam. Meninas do Mackenzie que antes sabiam inglês, agora sofrem para ler em português. A USP que era um berço da filosofia, agora tem professores desconhecidos e que escrevem em revistas cujo conteúdo e apenas pego de sites apócrifos da NET. Cinemas que podiam, até pouco tempo, alternar suas programações entre filmes de arte e filmes populares, agora optaram ou por uma linha ou por outra. Colégios de gente rica que ensinavam de verdade, agora são apostilados. Restaurantes legais em bairros nobres funcionam assim somente à noite, mantendo um self service popular no almoço. E até mesmo o café está ralo em lugares que até pouco tempo conservava-se o clima elegante de São Paulo. A Bélgica abandonou o Brasil. E a Índia, lá fora, nos superou. Não é mais termo de comparação. Pois a Índia ficou no Terceiro Mundo, e nós descemos para o Quarto Mundo.

Com o Programa Bolsa-Família, não melhoramos em nada os pobres. E com a ineficácia e estupidez da política de Lula para a classe média, perdemos o pouco de desenvolvimento que tínhamos. O PT pode falar mal da Veja, e a Veja realmente é de direita e, não raro, chega até beirar o fascismo, mas há verdades em várias de suas manchetes. Uma delas, já velha, tinha uma verdade que agora não conseguimos não reconhecer: o Brasil ficou mais burro com o PT. O governo Lula tem um “ar” brega, algo parecido com rodoviária de periferia. Não funciona. Olha, até eu cansei.

Paulo Ghiraldelli Jr. "o Filósofo da cidade de S. Paulo"

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Prof. Ghiraldelli: Lula quer desvendar o truque

O texto abaixo me foi enviado pelo professor Paulo Ghiraldelli Junior, discutindo a relação, ainda não resolvida, entre o Presidente Lula e a sua condição de homem simples, não-intelectualizado.
Lula que, segundo o professor, sofre de um auto-preconceito de classe, ressentido que é pelas derrotas eleitorais para Fernando Collor, o "rico", e Fernando Henrique Cardoso, o "culto". E assim Lula ataca as elites deste país, a intelectualidade, que se afasta cada dia mais de seu governo e de seu partido, ambos perdidos em retóricas pobres e arcaicas do velho populismo.
Lula achou que bastava tornar-se Presidente, recebendo seu primeiro e talvez único diploma, para que chegasse a uma condição iluminada de conhecimento e entendimento das coisas e do mundo, ledo engano. Lula se mostra instintivo em seu discurso, porque mesmo presidente ainda lhe falta, e ele sabe e se incomoda, o conhecimento acadêmico, adquirido nos bancos de escolas e não na vida prática de sindicalista e trabalhador no qual ele sempre se apoiou.

Bom, boa leitura e abraços liberais.


Lula quer desvendar o truque
Paulo Ghiraldelli Jr.

Quando Francisco Weffort e, depois, José Dirceu tinham o controle do PT (e com isso não comparo um com o outro), a linha social-democrata do partido apresentava um bom discurso. Alguém mais à direita ou à esquerda podia não concordar, mas não diria que o discurso era ruim. Lula, atualmente, está praticamente sozinho. Perdeu seu partido, e o partido se perdeu. Quem escreve seus discursos ou sugere suas falas não acerta de modo algum. E quando o presidente fala de improviso, a linha populista fica acentuada, e já não tem o tom atrativo que conseguiu no passado. O populismo, talvez graças ao próprio PT, não é mais fonte retórica de sustentação política.


Lula se repete de gafes em gafes, de erros em erros, e vai cada dia mais se distanciando dos setores escolarizados, herdando o curral eleitoral do Norte e do Nordeste, que foi do antigo PFL. Para manter os intelectuais ao seu lado, precisa colocá-los em cargos de confiança. Mas não há tanto espaço assim no Conselho Nacional de Educação e similares.

O último exemplo de má retórica do presidente foi para a TV dia 16 deste mês. Lula fez duas comparações sem pés nem cabeça: Disse que os que o vaiavam eram muito jovens, como se isso fosse um defeito (era uma virtude, para o PT, ter jovens, lembram?), e que não tinham “consciência política”, dado que apareciam ali fantasiados de palhaço, quando “palhaço é uma figura alegre, suave” (e não figura de protesto); disse que os que criticam a bolsa minguada para os pobres não criticam a bolsa (que seria gorda) para um pesquisador ir para os Estados Unidos.

Quanto à crítica aos “jovens”, nem há muito que comentar; parece que o presidente começou uma frase (que seria sobre a suposta consciência política dos que vaiavam), perdeu o fio da meada e concluiu com uma não-conclusão a respeito do palhaço. Lula já não consegue mais encadear frases com alguma conseqüência lógica.

Agora, sobre a comparação entre bolsa para pobres e bolsa para doutores, há mais o que dizer. O problema não é ele querer comparar políticas distintas. O problemático na frase do presidente é que ela revela novamente que ele não consegue superar uma mágoa que, há mais de dez anos, imaginei que havia superado. Trata-se da mágoa de um dia ter sido chamado por setores conservadores de “analfabeto” e “despreparado”. Lula parece não ter superado, até hoje, a derrota para Collor - o rico - e para Fernando Henrique - o culto. Toda vez que é atacado, ele responde com a “mágoa de classe”. Diz que defende os pobres, mas não pelo fato de que os ricos não gostariam que ele defendesse os pobres, e sim pelo fato de que os altamente escolarizados são desleixados quando se trata de incentivar políticas de proteção dos pobres (se é que tal bolsa para pobres tem alguma eficácia).

Quando Lula pegou o diploma de presidente nas mãos, lembrou que era seu primeiro diploma. Foi uma fala simbólica. Na época, fiquei feliz. E tenho certeza que FHC, que se declarou feliz no episódio, foi sincero. O que Lula, todavia, falou naquele dia tinha um componente subjetivo perverso, que não quisemos ouvir, embevecidos que estávamos com o fato de nossa democracia estar funcionando exemplarmente (chegamos até a comparar nossa perfeição diante da imperfeição americana - Gore havia sido roubado, lembram?). O componente perverso da fala de Lula, na época, agora reaparece: Lula não se conforma com o fato de, mesmo sendo presidente, não entender o que ocorre à sua volta. Ou seja, ele não se conforma por não ter ficado culto e inteligente, mesmo diplomado. É como se ele dissesse para si mesmo: “Eles recebem um canudo e ficam inteligentes e cultos, e eu recebi um canudo, um diploma, e sigo tendo dificuldades diante de um texto mais complexo.” Lula acredita que haja um truque, uma mágica nisso tudo.

O deputado comunista italiano Antonio Gramsci é que falou sobre tal truque; sobre como os mais pobres e, às vezes, menos aptos imaginam haver um truque no aprendizado dos mais aptos e, às vezes, mais ricos. Ser culto, atacar um texto e entendê-lo, e então melhorar a compreensão do que se passa no mundo, depende de um tirocínio que é adquirido com uma disciplina especial, algo que, nos nossos tempos, depende da boa escola e, antes, de uma boa situação pré-escolar. Não existe atalho real para o saber, disse Aristóteles a Alexandre. Os que não passam por tal tirocínio imaginam que os cultos escondam um truque que eles desconhecem. Na procura desesperada pelo “truque”, para desvendar a “mágica”, acabam concluindo que é o recebimento do diploma, talvez, que confira sabedoria.

Lula se parece com a figura citada por Gramsci. O garoto pobre entra na escola e vê o garoto de classe média, na mesma sala, ir melhor do que ele, e acredita que exista um truque. Não sabe que o garoto de classe média está já treinado, desde o nascimento, a acomodar-se numa escrivaninha e dispor todo o seu corpo para o trabalho intelectual. O truque é simplesmente este: as habilidades físicas para ser um intelectual são conquistadas antes mesmo de se entrar na escola, e transformadas numa segunda natureza, no garoto de classe média.

Lula faz parte dos que procuram o truque, e imagina realmente que exista algo de falacioso no procedimento que torna alguém um intelectual. Para ele, basta dar um dinheirinho a um pobre e este irá comer melhor e, então, uma vez na escola, espera um pouco e pega o diploma, que lhe dará sabedoria. Lula não percebe que há saberes que não se aprendem “de oitiva”, que não dependem de vivência sindical e política. Ele não percebe que mesmo a política, hoje, é matéria de estudo. Lula continua brizolado, isto é, faz política segundo sua intuição, nem sempre aprimorada. Ou pior, ficou brizolado após 1989 de uma maneira muito mais acentuada.

Paulo Ghiraldelli Jr. é filósofo. Site: www.ghiraldelli.pro.br
PAULO GHIRADELLI JR., doutor e mestre em filosofia pela USP; doutor e mestre em filosofia da educação pela PUC-SP, livre docente e titular pela UNESP, pós-doutor em medicina social pela UERJ. Diretor do Centro de Estudos em Filosofia Americana – www.pragmatismo.com . Editor da Contemporary Pragmatism de New York. Site pessoal: www.ghiraldelli.pro.br Editor do Portal Brasileiro da Filosofia: www.filosofia.pro.br

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Rui Barbosa vive!


SINTO VERGONHA DE MIM
Rui Barbosa


Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.
Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o "eu" feliz a qualquer custo,
buscando a tal "felicidade"
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos "floreios" para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre "contestar",
voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.


Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!

"De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem- se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto"

(Rui Barbosa deixou de ser senador em 1892 e faleceu em 1923.)

Brasil e seus contrastes: analfabetos conservadores e elites democráticas


Amigos e amigas, na última semana foi lançado pela editora Record o polêmico livro “A Cabeça do Brasileiro”, desenvolvido pelo sociólogo Alberto Carlos Almeida e que faz um raio-x do que pensa o brasileiro medianamente, através de um levantamento estatístico realizado pela Pesquisa Social Brasileira.

O debate gira em torno da metodologia do estudo que classificou o pensamento de nossa população como “cívico liberal” e “conservador”, e fazendo um paralelo entre estas posturas ideológicas e o nível de escolaridade do brasileiro, nos deixando uma lição óbvia: devemos escolarizar maçiçamente o povo brasileiro se quisermos vislumbrar um Brasil moderno e democrático.

A pesquisa retrata o que já sabia, de certa maneira, como educador: o brasileiro com curso superior completo tende a ter, medianamente, uma posição cívico liberal, mais democrática, menos preconceituosa, menos agressiva e mais independente – sem esperar soluções pelas mãos de um governo, de uma liderança carismática ou da própria Divindade. E o contrário, de que os analfabetos, ou as pessoas de mais baixa escolaridade (como os analfabetos funcionais e a grande maioria de nossas crianças condenadas à repetência, a progressão continuada que premia o não-saber, a evasão escolar e uma série de mazelas encontradas em nosso ensino público) possuem uma atitude conservadora – mais agressiva e intolerante, moralista, preconceituosa, mais propensa a uma ação que corrompe e se deixa corromper, e dependentes de governos, líderes religiosos ou políticos, ávidos de religiosidade (aceitando conceitos como o destino, a ação e intervenção divinas).

Ou seja, creio que o título deste livro deveria se mudar para “A Falta de Cabeça do Brasileiro”. E é bom sobre dois aspectos: primeiro porque levanta o debate sobre o óbvio de que não construiremos um país mais progressista e democrático sem promovermos a educação de qualidade em massa, universalizando uma educação básica de respeito e em seguida o curso superior. Segundo porque é uma obra anti-rousseauniana, anti-lulista, mostrando que o brasileiro não-escolarizado é sim um sujeito que legitima o dito “jeitinho”, que é conservador e moralista, e que se permitirmos que esta situação de não-escolarização continue só teremos a perder. E as bolsas que escravizam, ditas sociais, só premiam a miséria e não promovem a ascensão social, a qualificação profissional e o emprego, que sim atuam como agentes transformadores da vida social.

Ingênuo é aquele que pensa que investindo na miséria nós a combatemos, pelo contrário, esta só tende a se perpetuar mesmo que de maneira menos latente. Temos que investir em quem pode investir no país, no nosso povo. Temos que diminuir a carga tributária pesadíssima sobre nosso empresariado, temos que qualificar o nosso povo através da escola de qualidade, temos que dar crédito aos pequenos e médios empresários (que são os que mais empregam no país), temos enfim que plantar para um dia colher. O que o lulismo faz, que se reflete no pensamento deste povo sem escolaridade, é tampar o sol com a peneira. É politicagem, e não projeto de Brasil. E a falta de projeto para o país não é exclusividade petista não, o governo anterior cometera o mesmo erro estrutural.

O estudo faz a necessária desmistificação do pobre brasileiro, dessa gente humilde como diz uma velha canção popular. Não quero aqui condenar os nossos pobres e miseráveis, afinal eles não são culpados pelo que pensam e tem como valores. A miséria é a culpada, a miséria que impede a escolarização e que tira a criança e o adolescente da escola. A miséria que impede os meninos e meninas de estudarem por falta de nutrientes, pois a fome ataca o organismo e o pensamento (tornado deficiente pela pobre dieta diária). A miséria que é amenizada, mas não é eliminada, e nem será (pois sem os miseráveis esta esquerda vagabunda não consegue se eleger para nada) com o assistencialismo e o clientelismo vigentes e históricos.

E nem o contrário, dizer que a elite é a nata deste país, de que são melhores que a maioria. Podemos assistir filhos da classe média, de ótima escolarização, espancando empregadas domésticas na rua, queimando mendigos e agredindo indígenas ou homossexuais, porém a estatística e uma análise apurada mostram que isto são fatos de exceção num universo econômico e social mais privilegiado. São como anomias. Enquanto que estes casos, de brutalidade e intolerância, é mais perceptível em nossas periferias e demais bolsões de miséria – onde se concentram os nossos brasileiros e brasileiras não-escolarizados.

Isto só reforça uma idéia que sempre me ocorrera: de que analfabetos deveriam perder o direito de voto. Que para tirar título de eleitor deveria o cidadão apresentar, além do CPF e CIC, o diploma da educação básica completa. Ou seja, para escolher o rumo do país você deve ser mais do que brasileiro, você deve ter consciência e visão das coisas. E isto quem traz, efetivamente, é o conhecimento. Isto valorizaria o ensino e a escolarização de maneira impressionante. Não basta incluir, fazer balaio de gatos, se o conjunto não se mostra preparado para tomar decisões. Ou você, leitor e leitora, colocaria uma responsabilidade muito grande nas mãos de indivíduos que não sabem ler nem escrever o próprio nome, ou que lêem uma informação, seja ela qual for, e não a compreende? Quiçá deixar nas mãos destas pessoas o futuro da nação.

E assim fica a moral disso tudo: escola já! Governo não deve dar dinheiro para seus filhos da miséria, e sim condições para sair dela e cuidar de seus caminhos, e isto só é possível pela escolarização em massa e de qualidade.

Abraços liberais, em pró da escola brasileira e do Brasil.