sábado, 4 de agosto de 2007

Resposta Necessária "uso a razão e não o porrete", e Ghiraldelli vs Chauí

Amigos e amigas, esta nova postagem é para responder uma provocação salutar de meu amigo, professor de Educação Física e árbitro de futebol, Wesley Moreira (petista convicto) que assim me falou enquanto bebíamos muitos chopps na noite belo-horizontina "você só usa o seu blog para criticar o governo! Você do PFL só poderia ficar fazendo isso".

Primeiro caro amigo, está difícil não criticar este governo. São escândalos e crises que se desenrolam uma após a outra. Seria bobagem minha mais uma vez enumerar, com casos entre 2002 e 2007, a incompetência de Lula como Presidente e de seu governo como administradores do país.

Não uso o blog exclusivamente para isto, aqui já discuti cultura (sobre a música ítalo-paulistana de Adoniram Barbosa), futilidades (como a revista Playboy do mês de julho onde pousava nua a auxiliar de arbitragem Ana Paula de Oliveira), religião (na última postagem quando analisei o cristianismo atual e sua historicidade, sob foco crítico de Nietzsche), e a América Latina (criticando abertamente o chavismo e outras manifestações do tipo, como na Bolívia). Mostro-me, ao contrário do que pensa o ilustre amigo, muito mais aberto, mais holístico e variado do que poderia imaginar a vossa visão petista de que estão sendo sempre perseguidos pela direita que oprime e que planta acusações contra este governo maravilhoso fazendo-se valer pelo uso da grande mídia para isto.

Outra coisa, não faço uso de meu blog para defender bandeiras partidárias, apesar dos tempos vividos como filiado ao PSDB e ao PL, que hoje fazem parte de meu passado político. Estou, no momento, distante da política partidária por entender que não me encontro com reais condições de atuação junto a um organismo partidário, pois para ser reconhecido em partido político não basta ter boas idéias, boa vontade, não, é necessário muito mais - ação social, influência, poder aquisitivo.

Creio que serei mais eficiente, como cidadão, tornando-me um olhar atento, analítico e as vezes crítico, do que ocorre neste país, e como professor e formador de pessoas e de opiniões é meu dever, inclusive profissional, posicionar-me perante meus alunos, meus companheiros e à sociedade a qual faço parte.

Foi bom você ter me questionado, pois se em algum momento transpareço usar este blog como mais um porrete para bater na cabeça de Lula, isto fiz de maneira inconsciente pois este não é e não será o meu objetivo com este blog. Ele transcende isto, ele deve sim, e sempre, refletir aquilo que penso, que tenho para dizer, aos que de alguma maneira aqui querem me ouvir. E assim, estará sempre aberto o leque de temas, de discussões. Se assim não fosse estaria usando o nome do blog "tiago menta usando o porrete", e não a proposta "tiago menta usando a razão".

E usando a razão que a natureza me deu, reafirmo: não tem este blog um sentido teleológico, visando denegrir um governo ou um partido, mas jamais me calarei, me silenciarei, como querem pessoas como a filósofa Marilena Chauí (que entende a crítica a este desgoverno a quem ela defende como ação contra-revolucionária, como ação sempre reacionária), e assim, sempre que Lula e seus aceclas cometerem erros estarei aqui, não como um lacerdista raivoso, mas como um professor, um historiador e filósofo, que jamais dispensará a crítica como mecanismo de consciência e de transformação.


  • A partir de hoje teremos em meu blog a ilustre participação e colaboração do Prof. Dr. em Filosofia da Educação, voz proeminente dentre os Filósofos Pragmatistas, e um dos realizadores do CEFA (Centro de Estudos em Filosofia Americana) Paulo Ghiraldelli Junior. No texto abaixo o prof Paulo coloca em discussão a posição de sua colega filósofa Marilena Chauí diante da crise instaurada com o caos aéreo nacional e de sua defesa, incolúme, do governo Lula mesmo que para isto ela negue a sua própria condição de filósofa, impondo o silêncio sobre toda forma de manifestação contrária e crítica a este governo - como se o mesmo fosse o único na história brasileira a ter o direito de errar, afinal seria este o único governo genuinamente do povo brasileiro por ali estar um dentre nós, o humilde operário Luís Inácio, que um dia perdeu um dos dedos no torno mecânico. Vejamos...
NA DEMOCRACIA, A DOR PODE SER EXPRESSA

Após certo silêncio, que eu acreditava prudente, Marilena Chauí voltou a falar. Não fez o gesto de Marco Aurélio Garcia, mas tentou usar de um discurso aparentemente sofisticado para, em resumo, dizer a mesma coisa que o professor da UNICAMP disse de modo bem mais sincero. Fica difícil acreditar que foi a professora de filosofia da USP quem disse o que disse. Todavia, é o que está no Blog do Paulo Henrique Amorim, chamado “Conversa Afiada”. Ele disse que fez as perguntas para usar em um curso de “Telejornalismo”. Vejam um trecho significativo:

Paulo Henrique Amorim pergunta: “‘Em leituras da Crise’, a sra. discute a tentativa do impeachment do Presidente na chamada ‘crise do mensalão’. A sra. vê sinais de uma nova tentativa de impeachment ?
Resposta da professora: “Sim. Como eu disse acima, a mídia e setores da oposição política ainda estão inconformados com a reeleição de Lula e farão durante o segundo mandato o que fizeram durante o primeiro, isto é, a tentativa contínua de um golpe de Estado.”

Leitor, antes de seguir o que escrevo, volte ao trecho acima, leia mais uma vez. Pare e pense: como que uma professora da nossa querida USP pode confundir impeachment e golpe de Estado? E qual a razão dela querer repreender a oposição por ter quase tentado o impeachment no primeiro mandato do Lula, quando do episódio do “mensalão”? Por acaso a oposição e a imprensa deveriam ficar caladas e aceitar o que ocorreu? Ora, todos nós sabemos que a oposição até fez pouco! E quem está vendo militares rebelados, desafiando Lula e querendo que ele caia? E qual a razão pela qual alguns órgãos da mídia, que sabem que parte da responsabilidade pelo acidente do avião da TAM é do governo, ao usar isso para fazer oposição ao governo, estaria comprometida com golpe de Estado e não com legítimo desempenho de ser oposição?

Caso Marilena Chauí não fosse professora de filosofia, eu não escreveria o que escrevo aqui. Eu deixaria passar. Mas é necessário que alguém que ama a filosofia, tanto quanto ela, coloque a filosofia ao lado da democracia. Não posso ficar quieto. Tenho de dizer três coisas simples, mas que todos sabem que é verdade.

Primeiro: na democracia que vivemos as pessoas que ficaram indignadas e feridas com o acidente da TAM possuem o direito de reclamar, como estão fazendo, do governo, e a imprensa faz o serviço correto ao dar voz para tais pessoas, pois elas não teriam outro canal para reclamar senão o da imprensa. Diante do ocorrido, as pessoas afetadas direta ou indiretamente estão até que muito conformadas.

Segundo: estamos em uma democracia, e as pessoas que reclamaram e colocaram TODA a culpa no governo, podem estar erradas, mas elas não estão chamando militares para dar golpe de Estado em ninguém, e se algumas delas gritam “fora Lula”, talvez tenham aprendido isso com a atitude do PT, que por qualquer coisa escrevia em muros, sujando São Paulo, “fora Sarney”, “Fora FHC” etc. O PT ensinou as pessoas a serem mais agressivas e, talvez, até anti-democráticas, ensinou a vaiar Presidente fora de hora (como no PAN), e algumas dessas pessoas aprenderam isso.

Terceiro: é preferível, em uma democracia, ter uma mídia exacerbadamente aguerrida contra o governo que ter uma mídia subserviente, que escuta somente o Poder, pois, afinal, abaixar a cabeça para o governo é mais fácil, e lhe daria vantagens, uma vez que as estatais gastam bastante com os meios de comunicação. Então, qualquer pessoa, principalmente o filósofo, quando vê uma imprensa aguerrida contra um governo, deve agradecer o destino, pois o mais comum é ver a imprensa ceder às benesses do Poder, que não poupa tentativas de cooptação.

O que quer Marilena Chauí? Ela quer que suas respostas cheguem no curso do Paulo Henrique Amorim, na “Casa do Saber”, para convencer os ricos que votaram no Alckmin que eles são todos golpistas? Ou ela quer fazer como Jânio Quadros e Brizola, que na base do puro populismo atacavam as redes de TV e os grandes jornais, se colocando como vingadores do povo, e acusavam os meios de comunicação de serem só defensores dos magnatas?

Será que Marilena Chauí, no frigir dos ovos, acredita mesmo que as liberdades que temos deveriam ser denominadas de “liberdades burguesas” e, por causa desse qualificativo, deveriam ser substituídas por “liberdades populares”? Será que ela, a quatro paredes, acredita que Chomsky e outros que são amigos de Chávez, poderiam garantir a ela mesma, Chauí, liberdade para escrever seus longos livros, com salário pago por nós, em um regime que levasse o nome de “República Popular”? Se ela acredita nisso, tenho o dever de lhe dizer o seguinte: você está enganada professora.

O compromisso de Marilena Chauí com a chamada verdade é o seu compromisso com a chamada verdade do PT. Ela perdeu a autonomia como filósofa, pois acredita em uma mágica, a saber, que a filosofia poderia continuar existindo em uma situação em que a imprensa viesse a ver o que viu, em Congonhas, e ficar quieta. Não, a filosofia perderia muito sem democracia. Nenhum de nós, filósofos de esquerda, pode querer levantar um dedo contra a imprensa por ela fazer gritaria contra o governo no episódio da queda do avião da TAM, pois os problemas do nosso caos aéreo são problemas do governo e, enfim, a queda do avião está entre esses problemas. Quem acredita no que Marilena Chauí acredita vai terminar por endossar a idéia que o melhor lugar do mundo para se viver é aquele onde você ganha uma medalha em jogos internacionais e não pode recebê-la, tem de voltar para casa como cachorro com o rabinho entre as pernas. Não, filósofos de esquerda que são filósofos democratas, não podem mais defender isso.

Há a possibilidade de amar a filosofia, ser de esquerda e, ao mesmo tempo, ser suficientemente democrata para ver com bons olhos a liberdade de imprensa – a completa liberdade de imprensa, sem quaisquer restrições. Vociferar contra a imprensa, evocando supostos conceitos filosóficos, me parece claramente uma tentativa de torcer as coisas, de preparar terreno para que concordemos com o fim de nossa capacidade de crítica. E isso não é o trabalho do autêntico filósofo.

Paulo Ghiraldelli Jr. O Filósofo da Cidade de S. Paulo

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

A Igreja de Constantino vive, a Igreja de Jesus morreu: sob a luz de Nietzsche

Amigos e amigas, o assunto tratado hoje será a religião. Pela primeira vez aqui em meu blog vamos abordar, criticamente (sempre), o cristianismo - fé por excelência de nosso mundo ocidental.

Não é sem razão que fora lançado um livro que promete ser polêmico "O Livro Negro do Cristianismo" dos autores Jacopo Fo, Sergio Tomat e Laura Ma (editora Ediouro, 272 páginas, R$ 32,90), dando continuidade a uma série de obras de intenso caráter crítico-analítico "O Livro Negro do Capitalismo", "O Livro Negro do Comunismo" e "O Livro Negro do Colonialismo".

Mas por que olhar a religião, seja o Cristianismo ou não, com um olhar crítico? Oras, esta deve ser a postura de todo cientista das humanidades e além, em estudos históricos e estatísticos sabe-se que a maior causa de derramamento de sangue em toda a história da humanidade é a religião. Assim, como não estudar, atentamente, as suas instituições, seus paradigmas, sua historicidade, sua base ética, sua atuação social e política?

Tratarei aqui do Cristianismo pela simples razão de ser a religião do mundo ocidental. Cristianismo que hoje se encontra dividido em muitas ramificações, desde as clássicas divisões entre católicos e ortodoxos, católicos e protestantes (luteranos e calvinistas), e hoje uma série de agremiações pentecostais, neo-pentecostais que aqui entre nós brasileiros costumamos denominar como "crentes" ou mesmo "evangélicos".

Pegando o gancho da obra "Livro Negro do Cristianismo" quero aqui iniciar profunda reflexão: mesmo com tantos crimes comprovados ao longo da história a fé cristã ainda é válida para o ser humano?

Respondo de maneira simples - sim, e sempre. E a razão é sociológica, ou seja, não há vida em sociedade possível com a inexistência da fé, da religiosidade. Isto devido ao seu caráter agregador, conciliador, e também intimidador - se o indivíduo não for ético, se não seguir com a ordem moral, irá pagar (no mundo espiritual) por sua desobediência, seja nas dores infernais ou durante o dia do juízo. Assim, com a religiosidade, como a cristã, os seres humanos criam laços sociais mais sólidos, amparados numa lógica metafísica de união e temor ao desconhecido.

A religião tem origem antropológica, relacionada a capacidade humana de produzir sonhos, ou imagens produzidas pelo cérebro enquanto estamos repousando o restante de nossa máquina corporal. Pois o sonho de alguma maneira era interpretado pelos homens mais primitivos como uma segunda realidade, criando assim a noção de mundo espiritual e da co-existência carne/espírito. Com a complexização do mundo humano esta crença no espírito e no mundo espiritual foi tomando formas institucionais, com regras, visão de mundo, moral, genealogia e cosmologia próprias, daí resultando no que conhecemos como Igrejas ou Religiões.

O problema da religião, segundo minha visão, é a base de seu discurso: a fé. Ter fé é negar a racionalidade, as relações causais, a própria natureza. Aquele que crê nada mais deve fazer diante de sua fé senão continuar crendo, sem provas ou manifestações concretas de sua crença - apesar que tentam demonstrar isto por meio de fenômenos conhecidos como milagres.

Nietzsche, filósofo alemão do século XIX, o maior e mais sagaz crítico que o Cristianismo conheceu, escrevia assim em trecho de "O ANTICRISTO":






"SE A CRENÇA É O MAIS IMPORTANTE, TORNAR-SE-Á OBVIAMENTE IMPRESCINDÍVEL LANÇAR O DESCRÉDITO SOBRE A RAZÃO, O CONHECIMENTO, A PESQUISA: O CAMINHO DA VERDADE TORNA-SE UM CAMINHO PROIBIDO." NIETZSCHE.

Ou seja, o Cristianismo não consegue comportar dentro de si o conhecimento, pois este baterá de frente com a sua base ética, a fé. Conhecer, saber, através do uso da razão, é uma atividade perigosa, e a Igreja Cristã em sua história aponta isto - lembremos de Galileu pressionado a negar as suas certezas científicas para não levar o mesmo destino de Giordano Bruno, queimado pela "Santa" Inquisição Romana. A Igreja, em nome da fé, de sua fé, de sua visão de mundo, negava, peremptoriamente, que a Terra girava em torno do Sol! A mesma Igreja que ainda nega, com veemência, a teoria evolutiva de Charles Darwin. Assim o Cristianismo sobrevive na negação da verdade racional, e na afirmação da verdade via fé cega, surda e muda.

Em sua institucionalidade o Cristianismo adquiriu, a partir dos primeiros séculos depois da morte de seu Messias/Jesus, contornos romanos, imperiais. Graças ao imperador romano Constantino, que transformou uma fé romana em uma instituição romana. E como instituição romana agregou-se a sua fé o caráter imperial-administrativo, hierárquico e político. Hoje o Papa Bento XVI é o único rei absolutista do mundo pós-moderno, e o Vaticano ainda mantém seu caráter estatal (depois de acordo com Mussolini e o Tratado de Latrão, transformando o Vaticano em Estado soberano).

Não sou cristão, sou agnóstico. Mas uma coisa é certa, este cristianismo atual não é a pedra angular que Jesus construiu. A Igreja Católica e as Igrejas Cristãs Não-Católicas são filhas do Imperador Romano Constantino e não de seu messias fundador. Elas fazem política, elas são violentas (na ação e no discurso) e intolerantes (pouco dialogam entre si, formando e disputando um mercado de ovelhas desamparadas e desesperadas, e também não dialogam com a sociedade por entender que só ele mesma, Igreja, deve cuidar da conduta ético-moral das pessoas), elas derramaram e ainda derramam muito sangue.

Mas mesmo assim, ainda é válido, sociológicamente falando, manter a religião em sua posição de orientação e unidade social. Contudo, devemos ter a consciência de que o niilismo hoje vivido neste mundo pós-moderno não é sinônimo de um afastamento de Deus, mas um afastamento das Igrejas de sua base original, no caso do cristianismo o chamado "Cristianismo Primitivo", que a Teologia da Libertação de homens como Leonardo Boff tentaram readaptar para a realidade e miserabilidade da América Latina, mas que a intolerância romana, personificadas em João Paulo II e Bento XVI, impediram de seguir adiante em sua vocação essencial "viver com e pelos pobres". Ou algum pobre reúne condições de se casar numa Igreja cristã (o que ela compreende como um sacramento)? Pois é, muita hipocrisia.

Finalizando, encerro com mestre Nietzsche, em mais um trecho polêmico de sua filosofia do martelo, encontrada com riqueza e propriedade em "O ANTICRISTO":

"O QUE É BOM? - TUDO AQUILO QUE DESPERTA NO HOMEM O SENTIMENTO DE PODER, A VONTADE DE PODER, O PRÓPRIO PODER.
O QUE É MAL? - TUDO O QUE NASCE DA FRAQUEZA.
O QUE É A FELICIDADE? - A SENSAÇÃO DE QUE O PODER CRESCE, DE QUE UMA RESISTÊNCIA FOI VENCIDA.
NENHUM CONTENTAMENTO, MAS MAIS PODER. NÃO A PAZ ACIMA DE TUDO, MAS A GUERRA. NÃO A VIRTUDE, MAS O VALOR.
QUANTO AOS FRACOS, AOS INCAPAZES, ESSES QUE PEREÇAM: PRIMEIRO PRINCÍPIO DA NOSSA CARIDADE. E HÁ MESMO QUE OS AJUDAR A DESAPARECER! O QUE É MAIS NOCIVO DO QUE TODOS OS VÍCIOS? - A COMPAIXÃO QUE SUPORTA A AÇÃO EM BENEFÍCIO DE TODOS OS FRACOS, DE TODOS OS INCAPAZES: O CRISTIANISMO."

FRIEDRICH NIETZSCHE








































quarta-feira, 25 de julho de 2007

Paranóias do Lulismo Paralítico!


Amigos e amigas, e não é que o Presidente Lula demitiu alguém de seu governinho. Demorou, demorou demais, mas finalmente caiu o Ministro da Defesa (parece piada) Waldir Pires.


Ele sai e entra quem? O incorrigível lulismo e sua política sindicalista fazem agora renascer das cinzas o velho jurista Nelsom Jobim, do PMDB (o partido do amor). Jobim é uma espécie de "coringa" político do governo Lula, podendo ser utilizado em qualquer pasta do Estado, sempre pronto para dar a sua contribuição para que o governo não afunde em sua própria lama, ou seja, é o "tapa-buracos" por excelência do Palácio do Planalto.


Se vai dar certo ou não vai não sabemos. Mas certamente é melhor ficarmos com o ministro coringa do PMDB do que continuar com a infame permanência de Waldir Pires na pasta da Defesa.


O lulismo paralítico, novo conceito em política de Estado para tratarmos de Brasil nos últimos anos, vem mostrando nos últimos meses lances paranóicos - especialmente a maior de suas paranóias: "somos perseguidos pela grande mídia, pelas elites e pelos políticos golpistas".


Será que estes três elementos estavam no estádio do Maracanã vaiando o Presidente Lula em plena abertura dos jogos do Pan(aca) Rio 2007? Creio que em parte, mas que as vaias foram e são manifestações naturais, contrárias ao atual governo, disto não duvidem. E como começam a perder voz, a ficarem queimados perante a opinião pública e ao povão (curral político de Lula), reiniciam o velho jogo de que estão sendo perseguidos.


E se aceitarmos a hipótese de que são perseguidos, por que não questionarmos as razões de tamanha "perseguição"?


Parafraseando nosso ilustre Presidente "nunca antes neste país" assistimos a uma desordem institucional tão grande, a construção de uma política de morosidade aliada ao populismo barato que condena os pobres a permanecerem conscientemente pobres (pois receberão sempre do bom governinho os vales, as bolsas), a uma corrupção que escapa pelos dedos não pela ação do governo mas pela quantidade de atos corruptos (Sanguessugas, Vampiro/Waldomiro Diniz, Ambulâncias, Mensalão, Galtama, José Dirceu, Antônio Palocci e o caseiro, Apagão Aéreo) e pela centena de corruptores que se avolumam no PT e nas bases aliadas do governo.


E depois é tudo perseguição da mídia, das elites (como se os nossos governantes do PT e base aliada fossem realmente pessoas simples e representantes do povo), e dos políticos golpistas (uma piada, porque nunca vi uma oposição tão morna, tão besta, e que estão muito mais interessados no sangramento do país hoje e do próprio governo, já vislumbrando as eleições de 2010 que cairão nos braços do PSDB de Serra ou Aécio).


Se o governo se diz perseguido, o que diriam Getúlio, Juscelino, Goulart - massacrados por todos os lados durante os anos em que governaram este país. Não há hoje uma oposição como haviam UDN, PSD, ou até mesmo dos Integralistas, nos primeiros passos democráticos de nossa vida republicana. Hoje não há mais um Jânio Quadros, Plínio Salgado, Carlos Lacerda, ou mesmo um Mário Covas, um Brizola, para apontar o dedo para um governo como este. Lula impera sozinho num mar de lama, e vai azedando aos poucos com a própria sujeira que criou e cultivará ao longo de seus 8 anos de mandato.


Mas de onde vem, genealógicamente, esta paranóia lulista? Ela tem profundas raízes na esquerda brasileira que por décadas foi perseguida e até morta com violência, desde o Partidão (PCB) nas décadas de 20/30/40 até aos grupos guerrilheiros exilados, torturados ou mortos pelos governos militares, especialmente os dos generais Costa e Silva (1967-1969) e Médici (1970-1975). Nestes contextos sim foram realmente perseguidos, mas vivia-se em plena Guerra Fria (1945-1991) que já caiu por terra desde que a Rússia retomou o caminho da razão com Gorbatchev em 1991, dissolvendo o maor "elefante branco" do mundo: a URSS.


Os políticos que hoje governam este país pertenceram a esta esquerda dos anos 60, marcada pela violência (nos porões e nas guerrilhas urbanas ou rurais). É preciso lembrar aos amigos petistas que a Guerra Fria acabou, que o Socialismo foi um sonho que criado teoria mostrou-se tirânico e perverso na vida real (como aponta Adorno ligando comunismo e fascismo) e que por conseguinte foi derrotado pela dinâmica capitalista e pelo viés político líbero-democrático, que os velhos generais torturadores estão ou velhos ou mortos e que não mais sairão dos quartéis (porque governar este país é coisa de louco, e por isso o general Figueiredo entregou o osso rapidinho). Então, camaradas, o que há, realmente, não é perseguição, mesmo que alguns debatedores políticos da grande mídia se mostrem raivosos ou rancorosos (como Mainardi e Veja), mas sim crítica e arrependimento - pois o PT construiu uma aura ética, e Lula foi usado para consolidar esta visão (via Presidente-Operário), contudo os anos de governo, a confiança do povo brasileiro, vão se desfazendo nestes anos todos, devagar, favorecidos pela incompetência de sua oposição (PSDB, PMDB e DEMOCRATAS não conseguem ser ou fazer oposição), e assim a política nacional cai, aos poucos em total descrédito.


E então, com a política desacreditada, em seguida contaminaremos nossa híbrida democracia com a desconfiança, e então tudo estará perdido novamente, como já apontava Hannah Arendt quando buscava compreender a origem do totalitarismo, e o Brasil será seduzido por uma nova ordem, certamente autoritária, ou a direita ou a esquerda (bastando surgir, nos próximos tempos, uma nova figura carismática, no sentido weberiano do termo.


Abraços indignados com este país, desgovernado (como um Airbus gigante sem piloto, caindo dos céus rumo ao nada, ao abismo). E de um povo bom, ingênuo, só não mais ingênuo que a esquerda nacional.


segunda-feira, 23 de julho de 2007

TURBULÊNCIA NACIONAL



Amigos e amigas, mais um trágico acidente aéreo na recente história brasileira, hoje, num período de 1 ano (2006/2007), contabilizamos um saldo deplorável de 351 cidadãos mortos envolvidos nas duas crises, do sistema aéreo e conqüente colisão no ar de dois aviões em 2006, e agora da colisão entre um avião e um prédio utilizado como depósito da companhia aérea TAM quando do pouso do mesmo avião (um gigantesco Airbus da mesma TAM) no agora questionado aeroporto de Congonhas.

Nos últimos dias li e ouvi dois comentários que considero pertinentes, primeiro de Arnaldo Jabor na rádio CBN, e outro nas palavras de Gerard Thomas, diretor de teatro, que escreveu na Folha de São Paulo desta segunda-feira, 23 de julho de 2007.

Início com Thomas, reproduzindo suas palavras "...O QUE ESTÁ ERRADO COM O AEROPORTO DE CONGONHAS NÃO É O AEROPORTO, MAS SIM O QUE DEIXARAM CRESCER EM TORNO DELE: A FLORESTA DE CONCRETO DO TERCEIRO MUNDO EMERGENTE". Aqui se aplicam a ganância destas novas empresas do setor aéreo (com crescimento da demanda de passageiros) e a insegurança de se pousar naquele local, cercado por uma classe de emergentes sociais que acabaram por verticalizar cada vez mais todo o perímetro urbano no qual se insere o aeroporto de Congonhas.

Agora com o cineasta Jabor, que em seu boletim diário na rádio CBN, aponta este "desgoverno", esta paralisia estatal, como facilitadora para esta situação caótica em que agoniza o nosso setor aéreo. Mesmo que Lula e o seu desgoverno não tenham culpa sobre o acidente da última terça-feira, uma coisa é certa: do jeito que está não dá mais! Dirigentes da Anac receberam medalhas de honra ao mérito por "serviços prestados ao país" das mãos do comandante da Aeronáutica Juniti Saito, a quem agora chamarei de "japonês voador". Pois é, e Lula que veio se pronunciar 3 dias após a catástrofe! E Marco Aurélio Garcia flagrado ao apontar com gestos que aqueles que intencionavam ligar o acidente da TAM ao seu governinho "se foderam"! Quantos aviões ainda terão que cair para o povo brasileiro acordar, organizar manifestações públicas de repúdio a tudo isto que está aí!?

Depois perguntam por que Lula foi vaiado na abertura do Pan-Rio 2007, oras nossa paciência está nos limites, em especial das classes médias (que utilizam o transporte aéreo).

Lula afirmou que irá construir um novo aeroporto na cidade de São Paulo, para felicidade dos empreiteiros brasileiros. O Presidente só não fala que para isso sair do gogó e virar realidade demorará, pelo menos, 5 anos de intensos trabalhos. Ou seja, esta conta e mais o desperdício de bilhões de reais sacados dos cofres públicos para a organização deste ridículo Pan-Rio 2007 (o mais caro de toda história dos jogos Pan-americanos) cairão sobre o próximo governante deste país, que se Deus quiser não virá do PT e nem da base aliada deste desgoverno, incompetente e paralítico.

NESTA SEMANA NÃO INDICAREI NENHUMA LEITURA, POIS NÃO É O MOMENTO DE LER, É MOMENTO DE AGIR:
FORA LULA!
FORA MINISTRO DA DEFESA!
FORA ANAC!
FORA TAM!
FORA PT E ALIADOS!
FORA MARCO AURÉLIO GARCIA!

ESTE PAÍS PRECISA, COMO NA CAMPANHA PRESIDENCIAL DE 1959, DE UM POLÍTICO COM UMA VASSOUSA NA MÃO - AO ESTILO DO BOM E SAUDOSO PRESIDENTE JÂNIO QUADROS.

ESTOU EM LUTO! PELA VÍTIMAS DO ACIDENTE AÉREO DA TAM E PELA PERDA DO SENADOR ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES (DEMOCRATAS-BA).

ABRAÇOS LIBERAIS A TODOS.














quarta-feira, 4 de julho de 2007

O Troco da Bandeirinha!



Esta semana deve chegar as bancas de todo o país a edição da revista Playboy com a auxiliar de arbitragem, vulgo "bandeirinha", Ana Paula de Oliveira.



Antes de mais nada, é importante que eu afirme: mulheres devem, no pensamento, trabalhar em jogos de futebol como árbitras, auxiliares, em jogos de futebol feminino, e não no esporte masculino visto que sempre irá imperar, neste meio, muito preconceito, discriminação, e ela sempre será questionada como mulher e não como profissional do esporte.



Exemplo disto são os casos de erros recentes de arbitragem: do gaúcho Carlos Eugênio Simon na partida entre Botafogo x Atlético/MG, e da própria Ana Paula na partida decisiva entre Botafogo vs Figueirense, ambas partidas pela Copa do Brasil deste ano. Para o erro de Simon o gaúcho recebera punição leve, moderada, e ontem mesmo apitou a partida da Copa América na Venezuela entre Argetina vs Colômbia. E para Ana Paula? Uma severa punição e a jovem e bela auxiliar de arbitragem foi "bandeirar" numa partida da 4º divisão do Campeonato Paulista, sendo humilhada por todos os lados por dirigentes do futebol e torcedores machistas.



Ana Paula, que já em edições anteriores havia dado uma entrevista a revista masculina, já deveria ter em mãos uma proposta, porém preservando a sua posição de auxiliar de arbitragem e com objetivo de chegar a uma Copa do Mundo, de maneira consciente, acabava não aceitando qualquer oferta.



Mas com a severa punição imposta pela CBF, com as críticas machistas vindo de todos os lados, questionada até os limites do suportável, Ana Paula deve ter chegado a convicção de que sua carreira dentro do futebol estava condenada a um melancólico e frustrante final. E então, de maneira inteligente e crítica, a mesma Ana Paula agora chega as bancas nua em pêlos, após acordados R$ 550.000,00 como pagamento pelas fotos. Isso mesmo Ana, bem feito aos babacas que rodeiam e comandam o nosso futebol. Vão ter que engolir o seu sucesso, pois esta revista já causa frisson entre torcedores, jornalistas, cronistas, no mundo do futebol - e assim Ana terá ganhos com a venda das revistas, e com contratos comerciais que irão chover em suas mãos após a chegada da Playboy de julho nas bancas.



Que me desculpem os meus leitores, mas estou com nojo do Congresso Nacional brasileiro, especialmente dos nossos velhinhos do Senado. Por isso, não dá, e para relaxar, de alguma maneira, decidi escrever sobre o caso Ana Paula de Oliveira e a revista Playboy deste mês - que de maneira sociológica demonstra quanto o brasileiro é machista, e pior, hipócrita.



Hipocrisia que se estampa na cara de cronistas e jornalistas do esporte bretão que quando perguntados se vão ou não vão adquirir a revista insistem em responder que não, que não comprariam pelas esposas, ou que só os amigos vão comprar, e assim saindo pela tangente. Hipócritas!!!!



Futebol brasileiro que anda marcado pela sexualidade, iniciado com a revista de Ana Paula de Oliveira, e agora com a suposta homossexualidade assumida, via programa Fantástico da rede Globo, por um dos jogadores do São Paulo Futebol Clube, que tem seus torcedores chamados pelos rivais de "bambis". E assim o futebol brasileiro vai adquirindo contornos de caso terapêutico freudiano.





  • Indicação de Leitura

Considerado o primeiro cientista político da história do pensamento moderno, Nicolau Maquiavel dedicou o grande livro "O PRÍNCIPE" para o governante de sua Florença, da poderosa família dos Médici.


Nesta obra Maquiavel elabora uma espécie de manual prático da vida política, baseado especialmente nos exemplos da política clássica de gregos e romanos, e mostrando em pormenores como um governante, um príncipe, deve proceder moralmente e politicamente para preservar-se no poder.


Pensador que muitas vezes, e de maneira injusta, é considerado imoral, inclusive gerando o adjetivo pejorativo "maquiavélico", Nicolau traz nesta obra discussões interessantes como o famoso "se para o príncipe é melhor ser amado ou ser temido por seu povo".


Homem característico da era moderna e renascentista, Maquiavel transcende toda a idealização política (o governo ideal, o governante ideal) que vigorava desde Platão e mostra a política moderna como ela era, nua e crua, amparado historicamente para isto.


Boa leitura!











sábado, 9 de junho de 2007

Único Prognóstico Político: Escândalo!

Amigos, o nosso país talvez seja o único do mundo a apresentar um escândalo político por mês, às vezes até por semana. Quanta sujeira! Quando mal a gente começa a prestar atenção na chamada "Operação Navalha" da polícia federal, ao mesmo tempo temos que voltar os olhos para a CPI do "Apagão Aéreo", e nas últimas semanas o caso do presidente do Senado Renan Calheiros, e agora o irmão do Presidente Lula também metido em escândalos, corruptelas. Isto sem contarmos com o que ocorrera anos atrás, com destaque para casos "Sanguessugas", "Valdomiro Diniz", "Mensalão", "início da crise do setor aéreo nacional com o acidente da Gol e a greve dos controladores de vôo", e por ai vai (aposto que acabei por esquecer algum outro caso, pois o governo do lulismo é endêmico em escândalos).

Mas como o Presidente sai dessa assim, aparentemente ileso? Collor foi botado pra fora do Palácio do Planalto por muito menos, creio eu. Só o caso dos mensaleiros supera em milhões de reais qualquer "caso PC", e Marcos Valério, por onde andará o careca das malas? Livre, leve e solto, assim como José Dirceu, Genuíno, e outras figuras das mais não-republicanas da vida política brasileira.

Voltemos a Lula. Que força é essa que ainda o mantém no poder? Apoio das massas ou apoio do Congresso Nacional? Medo do vazio político que sua saída precoce significaria? O lulismo, como compreende o ex-cineasta Jabor, é um tipo de atitude política que a tudo compreende, numa espécie de coração de mãe político que tem lugar para tudo e para todos, sendo uma espécie de governo, ou desgoverno, do acordão, do banho-maria. Lula ainda é aquele que se autodefinia como "Lulinha paz-amor" das eleições de 2002, e é com essa postura que ele vem se segurando, por enquanto incólume, dentro desse mar de lama chamado Brasil.

Lula é fruto da geléia geral da vida política nacional das últimas décadas, evidente até em suas políticas sociais, que ele afirma ser uma realidade nova, que nada mais são do que uma extensão do que já vinha sendo realizado em 8 anos de governo do sociólogo Fernando Henrique Cardoso (1994-2002), como o famoso "Bolsa Família" que fora criado com nome de Bolsa Escola pelo ex-ministro e senador Cristóvão Buarque (espécie rara da vida política brasileira).

Finalizando, nem a mãe Dinah, nem nenhum futurologista, pode dar um prognóstico seguro sobre a vida política brasileira e o governo Lula, pois ainda muitos escândalos aparecerão, muita lama vai passar pelos encanamentos de Brasília, e o que será de nós brasileiros quando o lulismo tornar-se insuficiente, mostrando-nos o caos em que realmente nos metemos? Será que Serra ou Aécio Neves conseguirão alterar este quadro?

Abraços liberais.


Indicação de leitura do Tiago: amigos, a partir de agora em todas as minhas postagens deixarei aqui uma indicação de leitura para vocês. Se seguirem as minhas indicações terão sempre uma boa leitura, rica em conteúdo, e se assim o for, boa leitura!

Hoje a indicação é filosófica!

Clássico da filosofia ocidental, pedra angular do pensamento racional e idealizador da Grécia antiga, leiam "A República" de Platão.

"A República" escrita por Platão consiste em mais um de seus brilhantes diálogos, onde a personagem principal é o mestre Sócrates que na sua peripatética (andando entre os discípulos e estimulando a dialética do pensamento) ensina-nos os ideais de justiça, bem, e claro, qual seria a República ideal, a cidade perfeita, que viveria em acordo com o mundo das Idéias, das coisas perfeitas, da razão. Neste diálogo podemos tomar contato com a sofocracia idealizada por Platão e outros filósofos antigos, ou seja, que a República ideal seria aquela governada por homens preparados filosoficamente/por sábios.

Destaque para o 7º diálogo, ou capítulo, onde Sócrates nos apresenta a famosa alegoria da caverna ou mito da caverna! Que não vou explicitar, para não estragar a vossa leitura.

Leitura clássica, e portanto obrigatória. Se não quiser gastar muito, afinal universitários e estudantes brasileiros tem pouca grana (eu sei bem o que é isso), vale a pena conferir o pocket book da Martin Claret que deve custar em torno de R$ 10,90. Boa leitura.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Resposta a um Ditador!


Amigos, já que nosso Presidente insiste em abaixar a cabeça para o "companheiro" Chávez, permitindo que o Ditador venezuelano comece a atirar pedras em nosso país, sinto-me, como brasileiro, e minimamente entendido em questões políticas, no direito de responder aqui neste blog ao ditador Hugo Chávez.

Aos que ainda não sabem, Chávez disse que era mais fácil o Brasil voltar a ser colônia portuguesa do que ele voltar atrás na questão com a empresa de tv recentemente fechada (no último domingo tivera seu sinal obstruído, com a não renovação da concessão de transmissão), e pior, afirmou que nosso Congresso Nacional (porque não o Presidente Lula) é uma espécie de "papagaio de pirata" do governo norte-americano de Bush Jr.

Inicialmente, caro sr. Chávez, não é necessário perguntarmos se vais voltar atrás na decisão arbitrária e anti-democrática sobre a não-concessão de sinal a rede de tv recém censurada, pois somos inteligentes o suficiente para sabermos de vossa vocação centralista, anti-democrática e anti-republicana, pois sois mais um daqueles tantos ditadores latino-americanos que vão e vem, nessa histórica sucessão de caudilhos, legitimados sobre a bandeira já rasgada do socialismo, e que em breve será substituído por algum outro da sua espécie.

Sobre nosso Congresso e nossos congressistas creio que eles são muito mais "papagaios de pirata" deste governo petista corrupto do que relacioná-lo ao governo de Bush Jr, que sempre se mostrou distanciado de seu quintal latino-americano. Chávez deve estar preocupado conosco, aliás porque nós brasileiros somos dos poucos países do mundo com alguma alternativa energética ao petróleo: o álcool (que tem data pra acabar, e que sempre foi a base da economia venezuelana, que ao mesmo tempo que maldiz o governo norte-americano permanece fornecendo-lhe petróleo, pois é a única riqueza encontrada neste país insignificante dentro do contexto pós-moderno e globalizado).

Enquanto a Venezuela é exemplo de caudilhismo, de golpismos, de monocultura petroleira, de autoritarismo e militarismos, nós brasileiros somos dos poucos países latino-americanos que consolidamos o nosso modelo democrático, possuímos uma infinidade de riquezas e potencialidades para nos tornarmos uma nação melhor, progressista (basta vontade política, leis adequadas, judiciário atuante e flexibilizado, e um pouco de justiça social) que caminhará sim a uma posição de liderança dentro desta nova realidade que caminha seguramente rumo a mundialização.

E por fim, faço um apelo aos Estado Unidos da América, e a boa política republicana do Tio Sam: "coloquem a Venezuela e a Bolívia no seu devido lugar".

Abraços liberais, e anti-chavistas!